Ex-ministros do Egito vão a julgamento por corrupção

O Egito levou neste domingo dois importantes ex-ministros a julgamento, ampliando uma campanha de combate à corrupção enquanto os generais que estão no poder tentam mostrar seriedade em acabar com as práticas que levaram à queda do presidente Hosni Mubarak.

DINA ZAYED E MARWA AWAD, REUTERS

17 de abril de 2011 | 17h40

Ainda não se sabe em que data ocorrerão os julgamentos do ex-primeiro-ministro Ahmed Nazif e do ex-ministro das Finanças Youssef Boutros-Ghali, mas a decisão deve tranquilizar os manifestantes pró-democracia, que em fevereiro tiraram Mubarak do poder após 30 anos e exigem que o governo dele seja punido.

Muitos investidores e empresários creditam a Nazif e Boutros-Ghali as reformas de livre mercado que ajudaram a aumentar o crescimento econômico para cerca de 7 por cento ao ano no triênio anterior à crise econômica de 2008.

Mas muitos egípcios veem os ministros como corruptos, assim como uma série de outras autoridades que estão sendo interrogadas ou já vão a julgamento, devido a uma série de acusações de corrupção.

A promotoria disse que os dois ex-ministros foram acusados de irregularidades em conceder licenças de veículos, o que custou ao Estado cerca de 16 milhões de dólares.

Na semana passada, o promotor ordenou que Mubarak, de 82 anos, e seus dois filhos, Gamal e Alaa, fossem detidos para serem interrogados sobre acusações de corrupção, uma medida que trouxe respeito dos manifestantes pelos militares.

Os filhos de Mubarak estão na prisão, assim como vários outros ministros e assessores do ex-presidente.

Mas o ex-governante foi internado em um hospital no resort de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, com uma doença não especificada, no dia em que ele deveria ser preso, aumentando suspeitas de que os militares estavam tentando proteger seu ex-comandante da Justiça.

Na sexta-feira, o gabinete do promotor pediu a transferência de Mubarak para um hospital militar no Cairo, dizendo que ele ficaria por lá até estar bem o suficiente para ser interrogado novamente.

Mas fontes médicas e de segurança em Sharm el-Sheikh disseram neste domingo que ele já estava bem de saúde e que não havia planos imediatos de levá-lo em breve para o Cairo.

"Todos sabem que ele deve ser transferido, mas não temos ordens específicas ou instruções de quando isso ocorrerá", afirmou uma fonte de segurança em Sharm el-Sheikh. "É razoável acreditar que aqueles que estão no poder não querem levar o ex-presidente a julgamento neste momento."

Mubarak é acusado de abuso de poder, desvio de recursos e de ser responsável pela morte de manifestantes.

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