Ex-policiais servo-bósnios pegam 22 anos de pena por crimes de guerra

Juízes em Haia sentenciaram nesta quarta-feira a 22 anos de prisão dois ex-policiais servo-bósnios por seu envolvimento em crimes de guerra e contra a humanidade durante o processo de dissolução da Iugoslávia, há mais de 20 anos.

Reuters

27 de março de 2013 | 20h24

Mico Stanisic e Stojan Zupljanin foram considerados culpados de contribuir com um plano para remover permanentemente não-sérvios de partes multiétnicas da Bósnia, cometendo atos de violência contra muçulmanos e membros da etnia croata.

Alguns dos seus crimes foram cometidos quando forças sérvias ocuparam o município de Prijedor, em 1992, o que levou à morte de mais de mil pessoas, segundo os juízes do Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia.

Muitos habitantes foram levados para campos de detenção improvisados, incluindo um particularmente notório na localidade de Omarska, onde os detentos eram estuprados e mortos. Outros eram mantidos em condições "deploravelmente desumanas".

"Mais de 100 pessoas foram executadas na sala 3 do campo de Keraterm numa noite por volta de 25 de julho por guardas sérvios", segundo sumário da sentença lido pelo juiz Burton Hall, presidente da sessão. "No campo de Omarska ... execuções em massa foram realizadas a partir do fim de julho."

Mais de 100 mil pessoas morreram durante a Guerra da Bósnia, o mais sangrento dos conflitos ligados ao colapso da Iugoslávia, na década de 1990.

Os dois homens, que se declararam inocentes de todas as acusações no início do julgamento, em 2009, ouviram a sentença sentados e impassíveis. Zupljanin fez o sinal da cruz ao escutar a pena.

"Acho que as sentenças são brandas e curtas demais, se você olhar só para Prijedor, sem falar de outros municípios", disse Mirsad Duratovic, presidente da associação de ex-detentos de Prijedor, que fica no noroeste da Bósnia.

Duratovic disse que 3.173 não-sérvios foram mortos na região de Prijedor e que mais de mil continuam desaparecidos.

Os advogados de Stanisic e Zupljanin não estavam imediatamente disponíveis para dizer se os seus clientes irão recorrer.

(Reportagem de Thomas Escritt e Daria Sito-Sucic, em Sarajevo)

Tudo o que sabemos sobre:
HOLANDABOSNIASENTENCAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.