Ex-senador se diz chocado com citação

Gilberto Miranda rechaça qualquer contato com Camargo Corrêa

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

O ex-senador Gilberto Miranda declarou-se ontem indignado com a citação de seu nome como suposto beneficiário de recursos da Construtora Camargo Corrêa. Por meio de seu advogado, o criminalista Claudio Pimentel, ele rechaçou qualquer tipo de contato com a empreiteira ou seus dirigentes. "Efetivamente ele ficou bastante chocado e incomodado com a inclusão do nome dele na relação de pessoas que teriam se beneficiado de propinas porque não tem absolutamente nada com isso", declarou Pimentel.

Planilhas que sugerem contabilidade paralela da empresa foram recolhidas pela Polícia Federal durante a Operação Castelo de Areia, deflagrada na manhã de 25 de abril. O documento foi apreendido na residência de Pietro Bianchi, executivo da Camargo Corrêa. Aponta autoridades, políticos e servidores públicos que teriam recebido contribuições em dólares. Entre 1995 e 1998, a empreiteira teria desembolsado R$ 382,6 milhões, em valores atualizados.

O arquivo faz parte dos autos da Castelo de Areia, investigação da PF que mira crimes financeiros. A PF juntou ao relatório final da apuração as planilhas da Camargo Corrêa. Agora, caberá ao juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal, decidir os rumos da investigação - nomes que aparecem na lista desfrutam de prerrogativa de foro perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em uma página do documento há menção ao ex-senador, cujo nome aparece grafado por inteiro. O registro data de 10 de novembro de 1995 ao lado da quantia US$ 50 mil e da expressão "Projeto Sivam".

Gilberto Miranda é empresário em Manaus e São Paulo. "Ele jamais recebeu qualquer valor, não tem e nunca teve contato com a Camargo Corrêa", sustenta o advogado Claudio Pimentel. "Gilberto Miranda não tem a menor ideia de como o nome dele foi envolvido nessa situação absurda. Ele está muito indignado."

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