Ex-sócio de Valério não administrava recursos de agência, diz defesa

A defesa de Cristiano Paz, ex-sócio do publicitário Marcos Valério e acusado de integrar o chamado mensalão, disse nesta terça-feira, durante o julgamento do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), que o réu não tinha participação nas questões administrativas da agência apontada como operadora do suposto esquema e pediu sua absolvição.

Reuters

07 de agosto de 2012 | 15h51

Paz era sócio de Valério na agência de publicidade SMP&B, que seria usada para o repasse de verbas para a compra de apoio parlamentar, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ambos são acusados de integrarem o "núcleo operacional" do suposto esquema.

Os publicitários teriam montado uma rede societária para mesclar atividades publicitárias lícitas com outras criminosas, especialmente para viabilizar a lavagem do dinheiro arrecadado, de acordo com a denúncia. Paz teria participado da negociação de empréstimos, considerados fictícios pela PGR, e do repasse de recursos a políticos.

O advogado de Paz, Castellar Modesto Guimarães, citou diversas testemunhas ressaltando que o acusado era conhecido pelo seu trabalho na área de criação da SMP&B e que não tinha participação nas questões administrativa e financeira da agência.

"Sua atividade específica e única (era) como publicitário e homem de criação", disse Guimarães, no segundo dia de argumentações dos advogados dos réus no julgamento, iniciado na quinta-feira.

Cada defesa pode usar até uma hora para fazer sua apresentação. Guimarães usou 38 minutos.

Paz é acusado pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

O suposto mensalão, esquema de desvio de recursos e compra de apoio entre partidos da base aliada no Congresso, veio à tona em 2005 e foi a maior crise política do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Guimarães citou ainda a "ausência incontestável de provas" para pedir a absolvição de Paz, que só seria réu no processo por sua sociedade com Valério. Segundo o advogado, ambos eram sócios na SMP&B, mas não na DNA Propaganda, já que eram concorrentes, apesar de integrarem o mesmo grupo.

A sessão desta terça-feira terá outras quatro defesas: Rogério Toletino, advogado que prestava serviços a Valério, as funcionárias das agências do publicitário Simone Vasconcelos e Geiza Dias; e de Kátia Rabello, ex-presidente do Banco Rural.

Na primeira sessão destinada à defesa, na segunda-feira, cinco dos principais réus do processo expuseram suas defesas, numa estratégia que buscou desqualificar a denúncia. Negaram a existência do suposto mensalão e alegaram que os repasses apontados pela PGR caracterizaram caixa dois eleitoral.

As apresentações da defesa seguem até o dia 15, quando deverá ser iniciado o voto dos 11 ministros do STF. A defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson, delator do suposto esquema, deverá se apresentar no dia 13 de agosto.

Não há previsão para o término do julgamento, já que os ministros poderão levar quantas sessões precisarem para a leitura dos votos, mas há expectativa de que o processo poderá ser acelerado para permitir o voto do ministro Cesar Peluzo, que se aposenta no início de setembro ao completar 70 anos.

(Reportagem de Hugo Bachega)

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