Ex-vereador ligado a Cachoeira diz à CPI que só fazia contatos

O ex-vereador Wladimir Garcez, que assessorava Carlinhos Cachoeira e a empresa Delta, disse à CPI nesta quinta-feira que atuava nos dois empregos fazendo contatos políticos, mas negou as acusações de que faria parte de uma organização criminosa ou que tenha cometido atos ilícitos.

REUTERS

24 Maio 2012 | 12h57

Preso desde fevereiro em Goiânia, acusado de fazer parte da rede ilegal comandada por Cachoeira, Garcez fez um depoimento de aproximadamente 15 minutos aos integrantes da CPI mista, mas evitou responder as perguntas do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG).

Garcez, ex-presidente da Câmara de Vereadores de Goiânia pelo PSDB, afirmou que é acusado com provas obtidas ilegalmente pela Polícia Federal e que só se manifestaria sobre o que conhecia das investigações.

Ele afirmou ainda que recebia 20 mil reais da construtora Delta para assessorar o ex-diretor da empresa no Centro-Oeste Cláudio Abreu. Explicou também que de Cachoeira recebia 5 mil reais pela empresa Vitapan, que atua no ramo farmacêutico.

"Minha atuação era orientar e dar informação para as pessoas que compõem os vários órgãos... Foi esse o motivo que levou a Delta a me contratar", disse, negando que tenha cometido atos ilícitos.

Garcez começou seu depoimento na CPI citando que tem boas relações com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e é amigo do assessor especial do Palácio Planalto, Olavo Noleto. Mas negou que tenha tratado de questões ilícitas com eles.

Ele também disse que é próximo do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do ex-governador do Estado Iris Rezende. Contou ainda que atuou como coordenador da campanha para deputado federal, em 2002, do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.

Porém, ao longo do depoimento Garcez admitiu que por vezes forçava uma intimidade que não tinha com seus interlocutores para manter a boa imagem perante seus chefes.

"Para me valorizar sempre buscava mostrar que tinha bom relacionamento. Muitas vezes essa intimidade de fato nem acontecia, mas fazia parte para manter meus empregos", explicou espontaneamente.

"Para me cacifar, dizia ao Carlinhos que tinha mais poder, mais influência. Vaidoso como sempre, ele achava isso bom", acrescentou.

Os outros dois depoentes desta quinta na CPI, Jairo Martins de Souza e Idalberto Matias de Araújo, acusados pela Polícia Federal de serem arapongas a serviço de Cachoeira, se mantiveram calados e foram dispensados pela comissão. Na terça-feira, Carlinhos Cachoeira, preso em Brasília, passou duas horas e meia na CPI e se recusou a responder a qualquer pergunta.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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