Exame aprovou apenas 12% no ano passado

Instrumento de reserva de mercado para uns e exame de alta qualidade para outros, o Revalida aprovou, na edição de 2011, 12% dos 677 candidatos. Um resultado que pode ser considerado pífio, mas muito melhor do que o apresentado na prova-piloto de 2010. Naquele exame, dos 628 candidatos, só 2 tiveram permissão para trabalhar no País.

BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

03 Abril 2012 | 03h05

"O instrumento é ótimo, está perfeitamente ajustado. Acho que seria uma pena criar alternativas", afirmou o ex-secretário de Gestão e Trabalho do Ministério da Saúde, Milton Arruda. Feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o exame tem prova teórica e prática.

Antes do Revalida, o reconhecimento de diplomas estrangeiros de médicos era feito com critérios próprios, adotados por universidades públicas que aplicavam suas próprias provas. "Agora temos um sistema misto. Algumas universidades mantiveram seus exames. Mas boa parte aderiu ao exame único, feito pelo Inep", disse Arruda.

O ex-secretário atribui o baixo índice de aprovação à qualidade dos candidatos. "Não é um exame que pede o impossível. Ele exige conhecimentos básicos." O presidente do CFM, Roberto D'Ávila, assegura que há faculdades na América Latina cujo ensino é extremamente ruim.

"Muitos brasileiros vão para lá na esperança de ter uma boa formação. Encontram salas lotadas, infraestrutura deficiente." Como exemplo, ele cita aulas de anatomia. "Aqui, um cadáver é usado para grupos de 8 alunos no máximo. Vi um curso na Bolívia com um cadáver para quase 80 alunos. E o professor mal falava espanhol."/ L.F. e F.F.

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