Exame necroscópico descarta envenenamento em ressonância

Polícia investiga se morte de três pacientes após ressonância magnética em Campinas foi por erro humano ou defeitos

RICARDO BRANDT / CAMPINAS , O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h05

Os primeiros resultados dos exames necroscópicos nos corpos dos três pacientes que morreram após realizarem exame de ressonância magnética, no hospital Vera Cruz, em Campinas, interior de São Paulo, no dia 28, descartaram envenenamento.

A Polícia Civil divulgou ontem que segue agora com três linhas de investigação: erro humano nos procedimentos dos exames; falha dos equipamentos; e problemas nos contrastes (composto químico usado para melhorar a qualidade das imagens).

Segundo o diretor do Instituto Médico Legal (IML) de Campinas, João Roberto Miller, nenhum elemento químico diferente foi encontrado nos corpos. "Nenhuma substância tóxica ou venenosa foi encontrada nas amostras dos pacientes", explicou Miller, descartando a adição de outras substâncias na aplicação do contrastes.

As vítimas tinham entre 25 e 39 anos, eram dois homens e uma mulher, não estavam com problemas de saúde e morreram sequencialmente, após realizarem exames de ressonância do crânio, com uso de contraste, em máquinas diferentes, no hospital Vera Cruz. No mesmo dia, outras 83 pessoas passaram pelo mesmo procedimento, sem apresentarem problemas.

Com os primeiros resultados do IML, o delegado responsável pelo caso, José Carlos Fernandes, anunciou que as investigações agora estão focadas nas outras três linhas de investigação. "A conclusão até agora é que não houve um fator externo intencional. Mas temos que juntar os laudos do IML, da criminalística, do Adolfo Lutz com os depoimentos para entender o que aconteceu", explicou o delegado, que prorrogou o inquérito por mais 30 dias.

A diretora da Vigilância em Saúde, da prefeitura de Campinas, Brigina Kemp, informou que o Adolfo Lutz está criando uma metodologia para analisar o contraste, e que os resultados são demorados.

Esses primeiros resultados lançam ainda mais dúvidas nas investigações sobre as mortes no Vera Cruz. É que as evidências clínicas mostram que as vítimas podem ter sofrido uma intoxicação. Exames sugerem que houve uma reação química.

A diretora da vigilância informou que o setor de ressonância do hospital Vera Cruz continua fechado, até a conclusão das investigações, mas que ontem recebeu um recurso encaminhado pela unidade na secretaria, mas que somente na segunda-feira iria analisar o teor do pedido.

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