Exames de saúde após desastre nuclear ainda são lentos no Japão

Um ano após a crise nuclear em Fukushima, o governo do Japão ainda é muito devagar no fornecimento de exames de saúde e informações para os moradores, deixando-os confusos e desconfiados das autoridades, afirmou a organização de Direitos Humanos Human Rights Watch.

YOKO KUBOTA, REUTERS

06 Março 2012 | 08h58

"Um ano depois, nós não vemos serviços básicos de saúde sendo oferecidos de forma acessível e não vemos informações precisas, consistentes e não-contraditórias sendo divulgadas para as pessoas regularmente", disse a pesquisadora do grupo sediado em Nova York, Jane Cohen, à Reuters.

"As pessoas precisam pelo menos estar bem equipadas com informações para que elas avaliem sua situação real com base em fatos reais."

O tsunami que atingiu a costa do Japão do oceano Pacífico em 11 de março do ano passado destruiu a usina nuclear de Fukushima, 240 quilômetros a nordeste de Tóquio, causando vazamentos de radiação que contaminaram a terra, o ar e a água, e forçou dezenas de milhares de pessoas a fugir.

"Deveria haver um plano claro e um local para testar o nível de radiação de todo mundo ", afirmou Jane, que estuda a condição dos habitantes. Ela sugeriu que o governo local talvez tenha que emprestar equipamento médico ou trazer mais médicos.

A prefeitura local disponibiliza exames de saúde para crianças e mulheres grávidas, que tendem a ser mais vulneráveis à radiação, mas o processo leva tempo.

As 360 mil crianças com idade até 18 anos na época do desastre serão submetidas a exames na tireoide para o resto de suas vidas. Até agora, 40 mil foram testadas, afirmou uma autoridade do governo de Fukushima.

Em torno de 380 mil crianças e mulheres grávidas podem fazer exames para verificar os níveis de exposição interna à radiação e 15.400 já o fizeram desde janeiro, de acordo com o site do governo.

As preocupações dos moradores de Fukushima são exacerbadas pela falta de informações confiáveis de sua situações, explicou Jane, um problema que surgiu desde o princípio da crise nuclear.

"Ao não divulgar informações precisas e confiáveis de forma transparente, que é um componente muito importante para o direito à saúde, estamos realmente vendo que o governo não está realizando o seu compromisso de proteger o direito à saúde das pessoas."

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