Excesso de álcool matou Amy Winehouse

Cantora britânica, morta em julho aos 27 anos, tinha o quíntuplo do limite de álcool no sangue para motoristas

LONDRES, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2011 | 09h31

A cantora britânica Amy Winehouse morreu de tanto beber. Foi a conclusão da legista Suzanne Greenaway, que detectou no sangue da artista uma quantidade letal de álcool - 0,4%, mais que o quíntuplo do limite permitido para motoristas na Grã-Bretanha (o,08%).

O veredito da legista define a morte de Amy como envenenamento alcoólico acidental, causado pelo seu retorno à bebida, após semanas de abstinência. Três garrafas de vodca vazias foram encontradas no quarto em que a artista morreu, no final de julho, aos 27 anos.

"A consequência indesejada dos níveis potencialmente fatais de álcool foi sua repentina e inesperada morte", afirmou a legista em seu relatório.

Por anos Amy foi manchete de jornais sensacionalistas, que documentaram vários episódios de abuso de drogas ilegais, o que levou a especulações de que sua morte teria sido causada por overdose de uma dessas substâncias.

Outra hipótese aventada logo após a morte da cantora - e acatada com mais facilidade por seus familiares - é de que ela teria sido causada pela abstinência de álcool. Mas patologistas afirmaram que o remédio que ela tomava para combater os efeitos da abstinência não estava suficientemente concentrado em seu corpo para matá-la.

Agora, o relatório da legista confirma que a causa da morte da cantora, famosa pela voz poderosa, pelo disco Back to Black (2006), por seu visual característico - que comportava penteado colmeia e maquiagem elaborada - e pelos escândalos noticiados pelos tabloides britânicos.

"Ela fez esforços tremendos no decorrer dos anos", afirmou a médica Christina Romete, que tratou a cantora. "Mas ela fazia tudo do seu jeito", completou. De acordo com a médica, Amy parou de tomar drogas ilícitas em 2008, mas passou a alternar períodos de abstinência com outros de bebedeira.

A médica também afirmou que advertiu a paciente sobre os perigos do alcoolismo. "Por muito tempo, dei conselhos a Amy verbalmente e por escrito. Expliquei a ela todos os efeitos do álcool sobre o organismo, incluindo insuficiência respiratória, problemas cardíacos, de fígado e de fertilidade, além de morte."

Segundo pessoas próximas da artista, ela não mostrava sinais de querer se matar. Pelo contrário: horas antes de morrer, ela estava fazendo planos para seu próximo aniversário.

Andrew Morris, o segurança que encontrou o cadáver da cantora, diz que, na noite em que Amy morreu, ele a ouviu rindo, vendo TV e escutando música, em sua casa. Ele disse que sabia que ela tinha voltado a beber, mas não tinha notado nada de incomum naquela noite. / AFP e AP

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