Exclusividade em território francês

Preferida dos famosos e também uma das mais conhecidas dos brasileiros, Courchevel reúne neve perfeita e ótimas opções para quando você se cansar das pistas

Otávio Dias / COURCHEVEL,

11 de fevereiro de 2011 | 08h00

 

 

Ele chegou de helicóptero - e causou mais frisson que outros visitantes igualmente muito famosos de Courchevel. Não, nem o mítico complexo de esqui nos alpes franceses conseguiria se manter blasé diante de tal presença. O Pensador, de Rodin, foi trazido especialmente para este inverno e fica ali até o fim da temporada, em 25 de abril. Está ao ar livre, em meio à neve perfeita que faz a fama dessa região capaz de reunir algumas das pistas mais exclusivas do mundo.

 

Courchevel é um destino de primeira linha para quem quer deslizar no gelo o dia inteiro, tendo no horizonte o deslumbrante Mont Blanc. E para os que preferem balancear esqui e snowboard com excelentes opções gastronômicas, lojas de grife, après-ski animado e baladas que seguem madrugada adentro.

 

O complexo Les Trois Vallées, como a região também é conhecida, conta com ótimos hotéis - entre eles, 6 dos 11 primeiros cinco-estrelas da França. Vários ficam na beira das pistas, o que evita ter de carregar e se locomover com pesados equipamentos, a etapa mais cansativa do esporte. Seus spas, verdadeira bênção após um dia de exercício intenso, oferecem tratamentos e massagens com produtos das melhores marcas europeias.

 

No maior domínio esquiável do mundo, os números realmente impressionam: são 600 quilômetros para percorrer (150 somente no Vale de Courchevel), 330 pistas (50% para iniciantes, 50% para iniciados). Ali, além das pistas vermelhas e pretas, esquiadores com prática arriscam manobras nos 60 quilômetros de cross-country, devidamente demarcados por entre a vegetação. E para quem está começando, cinco escolas assumem a tarefa de ensinar o básico - crianças a partir de dois anos já podem tentar ficar de pé no esqui.

 

A região ainda conta com nada menos que 180 meios de elevação, que começam a 1.300 metros e chegam a 3.230 metros de altitude, em Val Thorens.

A variação de altitude, aliás, é mais uma característica interessante de Courchevel. Inaugurada em 1946, a estação foi crescendo e hoje se divide em cinco níveis. Tudo começou em Saint Bon, a 1.100 metros de altitude, com a abertura do hotel Lac Bleu, no distante ano de 1925 (de lá é preciso tomar micro-ônibus até os meios de elevação).

 

A área seguinte é La Praz, uma vila tradicional de montanha a 1.300 metros de altitude, já servida por teleféricos. Depois, vem Courchevel 1550, considerada por especialistas o trecho de melhor custo benefício no complexo. Já Courchevel 1650 é o lado mais ensolarado: quando a tarde já caiu em outras regiões, Moriond, como a área também é chamada, ainda faísca sob o céu azul. Por causa da predominância de pistas azuis e verdes, é considerada ideal para famílias e tem ótimo acesso às demais estações do vale.

 

Mais alta, Courchevel 1850 supera o conceito de exclusividade. E os valores acompanham. Ali, as diárias facilmente ultrapassam 1.000. Há, claro, recordes. O hotel Les Airelles, um grande palácio decorado em estilo mais rococó, exibe uma das suítes mais caras do mundo. Suíte, aliás, é eufemismo: são 550 metros quadrados de área, por 35 mil a noite.

 

No Cheval Blanc, o apartamento é ainda maior - 650 metros quadrados - e o preço, ligeiramente menos exorbitante. O quarto que comporta até dez hóspedes tem sala de jantar para 14 pessoas e mordomo particular. Por "módicos" 30 mil (a suíte básica custa em torno de 1.300). Outro destaque é o restaurante do hotel, o 1947, duas estrelas no Guia Michelin.

 

Além da alta sociedade francesa e europeia, a clientela de Courchevel 1850 é formada principalmente por árabes e magnatas russos. Brasileiros? "Temos também, mas queremos mais" é o discurso padrão dos gerentes de hotéis e de restaurantes.

 

Vale fazer um parêntesis: embora os turistas daqui ainda não sejam tão frequentes em Courchevel 1850, as demais áreas do complexo estão entre as mais visitadas pelos brasileiros no continente europeu.

Fora desse mundo para poucos, é possível encontrar preços bem mais acessíveis para hospedagem. O Manali, em Courchevel 1650, está entre as alternativas charmosas. Com decoração inspirada no Himalaia, tem diárias na faixa dos 400. Nas partes mais baixas da estação, há opções de diárias a partir de 50.

 

Nos intervalos, uma bela noite de lua e ar bem gelado, uma manhã de céu azul cristalino perfeita para subir de teleférico até La Vizelle e admirar o Mont Blanc, pico mais alto da Europa ocidental, com 4.810,45 metros de altitude. E um final de tarde que tingiu os cumes nevados dos Três Vales de inacreditáveis tons de rosa e vermelho.

 

 

PARA VER

Arte na montanha

O Pensador, de Rodin, foi instalado em La Vizelle, a 2.659 metros de altura. E se pode dizer que está bem acompanhado em Courchevel. Batizada de Confrontation at the Top, a exposição de inverno reúne esculturas como Angelo, do belga Jean-Michel Folon.

 

E obras-primas dos mestres Salvador Dalí, Botero e De Chirico, entre outros. As peças ornamentam o centro da cidade e as próprias montanhas. Até o fim da temporada.

 

Saiba mais

Como chegar: As melhores opções são voar até Genebra (Suíça) ou Lyon, (França), ambas a 2 horas de Courchevel. O trecho SP-Genebra-SP custa desde R$ 1.568 na Air France; SP-Lyon- SP, a partir de R$ 1.547,81 na Iberia e R$ 1.784 na Air France

 

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