Exercício intelectual preserva saúde mental, diz estudo

Sessões curtas de exercícios para o cérebro podem gerar benefícios duradouros para pessoas idosas, mantendo-as mentalmente saudáveis por pelo menos cinco anos, de acordo com os resultados de uma das mais rigorosas pesquisas a testar a teoria de que as faculdades mentais se deterioram com a falta de uso.Para pessoas com 73 anos de idade média, apenas 10 sessões - consumindo menos tempo do que o necessário para manter o corpo em forma - ajudaram a sustentar o funcionamento do cérebro.O treinamento cerebral envolveu aulas com uma hora de duração e exercícios realizados num computador. Embora não seja possível garantir que resultados semelhantes ocorram com treinamentos realizados em casa, outras pesquisas já mostraram que tarefas intelectuais, como ler e resolver palavras cruzadas, podem ajudar a manter a cabeça afiada durante o envelhecimento.O estudo atual "é o teste mais duro dessas hipóteses até o momento", disse Jeff Elias, chefe do setor de envelhecimento cognitivo e pesquisa de comportamento do Instituto Nacional de envelhecimento do governo dos EUA, que ajudou a pagar os US$ 15 milhões consumidos pelo trabalho.A pesquisa será publicada na edição desta quarta-feira, 20, do periódico Journal of the American Medical Association. Cerca de 3.000 homens e mulheres, de seis cidades, participaram do estudo. Eles receberam, durante seis semanas, sessões de treinamento para memória, raciocínio ou processamento mental rápido. Foram avaliados antes e depois do período de treino. Outro grupo não foi treinado, mas também passou por testes.Cerca de 700 das 1.877 pessoas que completaram os cinco anos do programa receberam aulas de reforço um ano e três anos após completar o ciclo original.Cerca de 90% dos membros do grupo treinado em processamento rápido, 74% dos treinados em raciocínio e 26% dos treinados em memória revelaram melhora quase imediata nos testes para as funções mentais que estavam sendo estimuladas. A melhora, em muitos casos, perdurou pelos cinco anos, e foi mais notável nas pessoas que receberam o reforço.O grupo de comparação também mostrou alguma melhora - talvez apenas pelo estímulo de se submeter ao teste - mas que não chegou ao mesmo nível que o obtido pelo participantes treinados.Após os cinco anos, os participantes do estudo avaliaram a capacidade que tinham de realizar tarefas cotidianas, como dirigir, fazer compras e administrar as finanças pessoais. Os pesquisadores também deram notas para o desempenho cotidiano dos voluntários.Apenas o grupo que recebeu treinamento de raciocínio declarou um declínio substancialmente inferior ao do grupo sem treinamento algum. E apenas um grupo se saiu melhor que o de comparação, na opinião dos cientistas: os que haviam tido aulas de reforço na velocidade de processamento.

Agencia Estado,

19 de dezembro de 2006 | 19h03

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