Exército e Irmandade discutem poderes presidenciais no Egito

A Irmandade Muçulmana selou alguns acordos com o Exército a respeito dos poderes do futuro presidente do Egito e do destino do agora dissolvido Parlamento de maioria islâmica, disseram funcionários da Irmandade na terça-feira.

MARWA AWAD, REUTERS

26 de junho de 2012 | 10h52

O recém-eleito presidente Mohamed Mursi, um político islâmico moderado, visitou na segunda-feira o palácio onde irá trabalhar. Mas, depois de saborear o resultado do segundo turno eleitoral, ele foi imediatamente conversar com generais no Ministério da Defesa, numa cena que parecia salientar os desafios impostos pela realidade.

Mursi venceu a primeira eleição presidencial livre na história egípcia, quase 17 meses depois da rebelião popular que derrubou o regime de Hosni Mubarak, no qual a Irmandade Muçulmana era proibida.

A transição para o regime civil foi turbulenta, com frequentes protestos nas ruas contra a Junta Militar que assumiu o poder interinamente. Neste mês, a Suprema Corte Constitucional dissolveu o Parlamento eleito em várias etapas no final de 2011 e começo de 2012, argumentando que as regras que nortearam essa eleição eram inconstitucionais. A Irmandade Muçulmana havia obtido maioria no Parlamento.

Os políticos islâmicos e outros grupos disseram que a dissolução do Parlamento equivaleu a um golpe militar. Paralelamente a isso, o Exército baixou um decreto, às vésperas do segundo turno, restringido os poderes do novo presidente.

Mursi foi declarado vencedor do pleito no domingo, derrotando o brigadeiro da reserva Ahmed Shafik, último premiê da era Mubarak. Durante a tensa semana da apuração, a Irmandade e o Exército mantiveram conversas discretas, segundo funcionários de ambos os lados.

O novo presidente toma posse no sábado, provavelmente diante da Corte Constitucional, mas a Irmandade deve realizar também uma cerimônia simbólica na praça Tahrir, cenário de frequentes mobilizações populares no Cairo, segundo Yasser Ali, assessor de Mursi.

Presidentes anteriores tomaram posse no Parlamento, que agora está lacrado e vigiado por militares.

Mursi será o primeiro presidente a não ter ligação com os militares em quase seis décadas de regime republicano no Egito. Mas as Forças Armadas devem preservar grande parte dos seus poderes.

"Estamos trabalhando em alcançar um compromisso acerca de vários itens, para que todas as partes possam trabalhar juntas no futuro", disse Essam Haddad, outro assessor de Mursi.

Ele disse que a negociação abrange possíveis emendas no decreto militar que limita os poderes presidenciais. "Não podemos aceitar ter um presidente sem poderes. A solução que está sendo discutida agora é reduzir essas restrições, para que o presidente Mursi possa cumprir ao povo o que prometeu."

Nenhum porta-voz militar foi imediatamente localizado para comentar.

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