Exército e Polícia apuram denúncia de tortura no Rio

A Polícia Civil e o comando do Exército investigam uma denúncia de tortura envolvendo militares da Força de Pacificação do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Um jovem de 22 anos afirma ter sido agredido por soldados do Exército após uma abordagem na madrugada de sábado em Vila Cruzeiro, favela ocupada por tropas militares. A denúncia é considerada a mais grave enfrentada pela tropa em um ano e quatro meses de ocupação no complexo.

ANTONIO PITA, Agência Estado

12 Março 2012 | 18h58

A vítima, que não foi identificada, disse em depoimento na noite de domingo que militares encapuzados o levaram para um matagal na favela, onde teria sido amarrado em uma árvore e torturado. O jovem também afirmou que, mesmo com um braço quebrado, conseguiu fugir e buscar socorro no Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

O delegado José Pedro da Silva, responsável pelo inquérito civil, começou a ouvir testemunhas na tarde de hoje para apurar o suposto abuso de autoridade dos militares. Segundo ele, os soldados da tropa também serão ouvidos. Caso seja comprovada a participação de militares, eles poderão ser expulsos do Exército e responsabilizados criminalmente.

A denúncia acontece no momento em que a Força de Pacificação se prepara para a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) na região. A Secretaria de Segurança Pública do Rio planeja para o dia 28 de março a instalação de duas unidades nas favelas de Fazendinha e Nova Brasília. Até junho, segundo o órgão, todo o complexo deve contar com unidades de pacificação.

O coronel Fernando Fantazzini, porta-voz da Força de Ocupação, disse que o Exército também abriu inquérito para apurar o caso. A investigação deve ser concluída em 40 dias. Para o coronel, existem "muitas coincidências estranhas" entre o desaparecimento do jovem e um tumulto ocorrido na tarde de sábado na Vila Cruzeiro. Na ocasião, cinco viaturas foram hostilizadas com pedras, tijolos e paus em diferentes regiões da favela e três pessoas foram presas.

"Temos a percepção de que são ações orquestradas pelos traficantes remanescentes no complexo, mas vamos seguir as providências legais para apurar com rigor essa situação", afirmou Fantazzini. O coronel aponta a intensificação das patrulhas como um dos fatores que levou os traficantes a promover as ações. Segundo ele, desde fevereiro foram 89 ataques à tropa contra uma média de 20 durante os outros meses da ocupação. "Essa intensificação tem incomodado os pequenos grupos remanescentes do tráfico que pressionam e aterrorizam a população contra a tropa".

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