Exército não teve ordem para atirar no Egito, diz general

O ex-presidente do Egito Hosni Mubarak não ordenou que o exército atirasse contra os manifestantes durante o levante que o derrubou do poder, disse o principal general do país.

REUTERS

02 de outubro de 2011 | 15h06

Field Marshal Mohamed Hussein Tantawi, ministro da defesa de Mubarak durante 20 anos e agora líder do conselho militar, testemunhou no mês passado o julgamento do ex-presidente a portas fechadas e sob um completo blackout da mídia.

"Não fomos pedidos para disparar contra as pessoas e nós nunca vamos usar o fogo", disse Tantawi, citado pela oficial Agência de Notícias do Oriente Médio.

Os comentários de Tantawi são a primeira indicação do que ele pode ter dito em seu testemunho, o qual, segundo alguns advogados, favoreceu Mubarak.

Os advogados de defesa dizem que qualquer depoimento de Tantawi sobre o papel de Mubarak na tentativa de reprimir o levante de 18 dias, no qual cerca de 850 manifestantes foram mortos, poderia decidir o seu destino.

"Meu testemunho no caso do assassinato de manifestantes foi um testemunho da verdade de um homem honesto, que foi um combatente por 40 anos a serviço de Deus e do Egito", disse Tantawi na abertura de uma fábrica na província de Fayyoum.

Apesar do blackout da mídia, os comentários de Tantawi têm circulado na internet e advogados de defesa têm dado a sua avaliação, embora não tenham quebrado a ordem de silêncio, segurando detalhes.

Os manifestantes ficaram cada vez mais frustrados com o exército, que foi chamado às ruas quando a polícia perdeu o controle, em 28 de janeiro.

Eles dizem que isso tem protegido o ex-comandante e que o uso de leis de emergência será revertido para as mesmas táticas usadas por Mubarak para sufocar a dissidência.

O exército rejeitou as críticas e tem respondido às demandas de alterar a lei eleitoral, depois de os partidos políticos dizerem que a versão original teria permitido apoiadores de Mubarak a voltarem ao parlamento.

"Vamos levar o Egito rumo à estabilidade, se Deus quiser", Tantawi disse em citação.

(Reportagem de Dina Zayed)

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