Exigências rígidas elevam custos

Produzir para exportar não é simples, sobretudo na hora de adequar os pomares às rígidas regras fitossanitárias exigidas lá fora. "Além da rastreabilidade e do controle de defensivos, há exigências em relação ao manejo desde o campo até a embalagem", diz o produtor Ricardo Kumagai, de Campinas (SP), que há 14 anos produz e exporta goiabas brancas para a Europa, na razão de 1 tonelada por semana. Isso sem contar as exigências ambientais e sociais.

Leandro Costa, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 02h46

Sacos. No campo, quando as goiabas começam a brotar, os funcionários de Kumagai envolvem cada pequeno fruto com um saco de papel, para evitar o ataque das mosca-das-frutas, praga inexistente em alguns países compradores.

A poda das árvores também é específica. Diferentemente da prática comum, que é a de fazer a poda constante, ou seja, cortar os galhos maduros, para que brotem galhos novos na safra seguinte, Kumagai tem de adotar a poda drástica por exigência sanitária do GlobalGap, o que aumenta o espaço de tempo entre uma colheita e outra.

No galpão de embalagens, as frutas são lavadas e depois embaladas uma a uma a vácuo e a manipulação é feita com luvas. "Tudo isso aumenta o custo de produção e, como tenho que usar menos defensivos, minha lavoura sofre mais com o ataque de pragas."

"Quem quiser exportar tem de se adaptar a essas diferenças", explica o produtor. Apesar de todas as especificidades, Kumagai afirma que trabalhar com o mercado externo vale muito a pena. "Uma unidade da goiaba que eu produzo aqui chega às mãos do consumidor na Europa custando até 1 (R$ 2,37)", diz. O preço cotado da goiaba branca na Ceagesp, na capital paulista, era de R$ 5,84 o quilo. "Isso porque o custo de produção maior, com regras sanitárias mais rígidas, permite que cobremos um preço mais alto", finaliza o produtor.

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