Alex Silva/AE
Alex Silva/AE

Existe awamori em SP

É isso que acontece quando apenas se escuta um nome novo. Eu só entendia "é o amore", o nome do shochu de Okinawa, o que me passava uma pré-impressão italianada totalmente descabida.

Luiz Horta - O Estado de S.Paulo,

18 Janeiro 2012 | 19h08

Awamori, como a aguardente de arroz é chamada no dialeto okinawano (alguém, acho que Mario Vargas-Llosa, disse que dialeto é uma língua sem exército). Sua peculiaridade é usar o arroz tailandês, de grão mais fino e com menos amido que o usado para os saquês. O grão precisa ser cozido duas vezes antes de ser destilado.

Provei os dois disponíveis aqui. O Awamori Mild Mizuho, com 25% de álcool (R$ 160), e o Royal Mizuho, com 43% (R$ 200). São encorpados e muito saborosos, pois estagiam longamente em ânforas enterradas, no caso dos dois, por sete anos. O processo de feitura é bem complexo; o arroz é cozido no vapor e com fungos inoculados, formando o arroz maltado (algo parecido com o modo de fabricação dos maltes escoceses).

A esse arroz é acrescentado mais arroz cozido e sua fermentação resulta num mosto de saquê. Finalmente, o mosto é destilado, uma única vez, para a produção do Awamori.

Os dois foram bebidos com a deliciosa comida do Deigo, na Liberdade. Merece menção a estranha sensação de estar comendo receitas da minha infância mineira. Vindo de uma cultura de carne de porco, encontrar os sabores de Okinawa foi como descobrir uma Minas Gerais nipônica.

Meu prato favorito, mesmo tendo me deliciado com o joelho, foi o gová champuru, com ovos, porco, tofu e o amarguíssimo goyá. Gostei dos awamoris, mas me apaixonei por goyá. Deve ter sido o Amore.

ONDE COMPRAR

Adega do Sakê

R. Galvão Bueno, 387, Liberdade, 3209-3332.

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