Exodus e Kreator juntos: velocidade, riffs e catarse coletiva

A banda californiana e a alemã, quentes na era do rock pauleira, encontram-se hoje em São Paulo para provar a força do metal

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

Thrash metal foi a novidade do rock pauleira nos anos 80. Combinação da velocidade biker do Motörhead com a escuridão do Black Sabbath, temperada com três acordes de punk que literalmente tiraram sangue de fãs daquela catarse coletiva. O movimento sofreu um baque nos anos 90 - ceifado pelo grunge, alegam as bandas -, mas a catarse nunca perdeu terreno. Exodus e Kreator, bandas seminais da cena thrash, seguem firmes quase 30 anos depois e apresentam hoje em São Paulo seus riffs para ferver moshpits.

Thrash, riffs e moshpits, no dicionário do metal, traduzem-se como velocidade, palhetadas e, de novo, a catarse coletiva. Com os três elementos em mãos, os californianos do Exodus querem transmitir a aura mítica de good, friendly violent fun - algo como diversão violenta, boa e amistosa. E os alemães do Kreator pretendem atacar com uma série de palhetadas sombrias para promover seu novo disco, Hordes of Chaos.

Gary Holt, guitarrista do Exodus, explicou ao Estado o conceito de "diversão violenta, boa e amistosa". "Queremos que as pessoas saiam de controle, fiquem loucas, mas não queremos que ninguém se machuque seriamente", disse.

Em El Salvador, contou Holt, um fã passou por cima da barricada entre o palco e a pista e caiu de cabeça no chão. "Achamos que ele tinha morrido. Sangrou como se tivesse tomado um tiro de escopeta e não se mexeu por uns cinco minutos. Ele se levantou, foi para o hospital, tomou pontos e ficou bem, mas nós não queremos ver isso."

Para garantir que o conceito seja levado à prática hoje, Holt avisa que estão no set list dois hinos dos moshpits: Lesson in Violence e Toxic Waltz. "Os fãs pedem, nós tocamos", avisou.

Quando o Exodus entregar o palco ao Kreator, o vocalista e guitarrista Mille Petrozza, idolatrado pelos thrashers, vai vociferar que São Paulo é a capital metaleira do mundo. "Vocês são a nossa cereja do bolo ", brincou durante a entrevista. "Será o último show de uma turnê espetacular com os nossos amigos do Exodus."

Petrozza está longe de ser um vovô do metal. Em 1980, ainda em Essen, na Alemanha, compôs sua primeira letra pesada - Tormentor, aos 14 anos. "Entregue seus tormentos à força dos céus/Em nome de satã espalhe seu medo." Desde então, os arranjos ficaram mais complexos. E as mensagens passaram a recriminar constantemente a humanidade por seus erros.

"Não sei se a sociedade pode ser mudada pelas minhas letras, mas escrever ajuda para que os fãs vejam através das mentiras", explicou Petrozza. Para ele, e uma grande turba de fãs, o thrash metal vive, ensurdece e incomoda.

Serviço

Exodus e Kreator. Via Funchal (6.000 lugs.). Rua Funchal, 65, Vila Olímpia, tel. 2198-7718. Hoje, às 22 h. Ingressos a R$ 100/ R$ 160

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