Exportação de carne cresce com preço e volume maiores

Os preços médios da carne bovina exportada pelo Brasil tiveram uma surpreendente alta de 18 por cento em fevereiro, os embarques aumentaram 8 por cento e a receita com as exportações subiu 28 por cento no mês passado, informou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) nesta terça-feira.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

09 de março de 2010 | 15h19

As exportações de carne in natura, que representam tradicionalmente cerca de 80 por cento das vendas do Brasil, tiveram destaque, com um crescimento em volume de 13 por cento e em receita de 43 por cento na comparação com fevereiro de 2009, quando a crise internacional afetou os negócios da indústria brasileira.

"Isso demonstra uma retomada do comércio mundial de carne, houve uma maior importação para a recomposição dos estoques, que ficaram muito reduzidos em função da ausência de crédito. A expectativa é muito boa para 2010", afirmou o diretor-executivo da Abiec, Otávio Cançado, a jornalistas.

Em 2009, as exportações de carne bovina do Brasil, o maior exportador mundial, caíram mais de 20 por cento ante 2008, para 4,1 bilhões de dólares, somando 1,9 milhão de toneladas (equivalente carcaça), queda de 11 por cento na mesma comparação.

Para 2010, é esperado pela Abiec um aumento de pelo menos 10 por cento em volumes e valores, em relação ao ano passado.

Em fevereiro, os embarques de carne bovina seguiram o ritmo esperado para o ano, atingindo 150,9 mil toneladas (equivalente carcaça), ante 139,3 mil toneladas no mesmo período de 2009, enquanto a receita aumentou no mês passado para 347,7 milhões de dólares, alta de 28 por cento.

O preço médio da carne bovina exportada aumentou de 3 mil dólares/tonelada em fevereiro de 2009 para 3,5 mil dólares.

"O aumento (do preço médio) nos surpreendeu", destacou Cançado, explicando que isso ocorreu em meio a um dólar mais fraco, o que permitiu renegociação de preços.

Uma maior demanda também ajudou na alta de preços. Somente as exportações de carne in natura cresceram para 109 mil toneladas, e atingiram 265 milhões de dólares em fevereiro.

No primeiro bimestre de 2010, as exportações totais cresceram 8 por cento, para 288,7 mil toneladas, e a receita somou 665,5 milhões de dólares, alta 26 por cento.

RÚSSIA, IRÃ, CHINA

A Rússia permaneceu como o principal destino da carne in natura brasileira, com importações de 61,8 mil toneladas no primeiro bimestre do ano (alta de 2 por cento ante o mesmo período do ano passado), mas o maior crescimento para um só importador no período foi registrado pelo Irã, de 195 por cento.

Assim, o Irã apareceu como o segundo maior importador de carne in natura, com 35 mil toneladas no primeiro bimestre.

"A relação comercial com o Irã cresceu nos últimos cinco meses, e as exportações vão aumentar mais... O Brasil não tem ideologia, tem comércio. Se um país tem condições de comprar, vamos vender. Essa é política do governo brasileiro e das empresas", declarou o diretor-executivo.

Cançado prevê que as vendas podem crescer mais, com a China finalmente importando diretamente a carne brasileira, que atualmente entra no país via Hong Kong. Ele prevê que até o segundo semestre deverá estar tudo pronto para o Brasil exportar aos chineses.

Outra boa expectativa é com a União Europeia, que poderia flexibilizar a entrada de fazendas habilitadas na lista das que podem fornecer gado para as indústrias exportadoras aos europeus, disse o executivo, confiando no resultado de uma missão técnica da UE que está no Brasil.

Os europeus, que antes de restringirem as regras de rastreabilidade eram importantes importadores da carne brasileira, importaram 8,6 mil toneladas no primeiro bimestre, crescimento de 17 por cento.

O preço médio da carne exportada à UE, tradicionalmente o maior, chegou a 7,4 mil dólares por tonelada. "Estamos perto de romper a barreira dos 8 mil dólares de 2007", disse ele, referindo-se aos melhores momentos das exportações de cortes nobres do Brasil.

A alta no valor da carne exportada aos europeus ocorre também em função do número reduzido de fazendas brasileiras habilitadas, atualmente 1.875. "Um equilíbrio seria com no mínimo 5 mil fazendas, e se tiver mais, exportaremos mais."

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