Exportador de suco de laranja vê queda de 10% nas vendas em 2009

No momento em que a colheita da nova safra de laranja começa a ganhar força em São Paulo, maior produtor brasileiro da fruta, as previsões da indústria de suco são de redução nos embarques do Brasil neste ano, por conta de grandes estoques nos países consumidores em meio à queda na demanda pela commodity.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

06 Julho 2009 | 18h28

"As exportações em 2008 atingiram 2,05 milhões de toneladas. Em 2009, deve ser cerca de 10 por cento menor. Há muito suco nos estoques mundiais, e o consumo de suco está caindo mundialmente. Desde 2001 o consumo caiu 17 por cento no mundo", declarou Christian Lohbauer, presidente da recém-criada Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos, ou CitrusBR.

"Por isso, 2009 será um ano difícil", afirmou Lohbauer, que comanda uma associação integrada pelas quatro principais indústrias do setor: Citrosuco (Grupo Fischer), Citrovita (Grupo Votorantim), Cutrale e Dreyfus Commodities.

O Brasil é o maior exportador global de suco de laranja, com embarques no ano industrial 2008/09 (iniciado em julho de 2008 e encerrado em junho de 2009) somando 2 milhões de toneladas, segundo dados do governo brasileiro.

Comparando com o mesmo período anterior (2007/08), as exportações no ano 2008/09 que acabou de ser encerrado até cresceram (5,3 por cento), mas o presidente da CitrusBR avalia que a partir de agora os estoques mundiais passarão a pesar nas vendas brasileiras.

"Tem muito suco disponível nos Estados Unidos, na Europa e nos nossos estoques em Santos (porto)", declarou ele, apontando que os preços na bolsa de Nova York estão a menos da metade dos valores elevados que se seguiram ao furacão Wilma, que devastou os pomares da Flórida em 2005.

De lá para cá, a produção nos Estados Unidos tem se recuperado, enquanto a de São Paulo, que produz ao menos 85 por cento da laranja no Brasil, demonstra poucas alterações nos últimos anos, segundo o governo estadual.

De acordo com Lohbauer, nos últimos oito anos a Europa, principal comprador do suco do Brasil, reduziu o seu consumo em 10 por cento, enquanto os EUA, demandaram 28 por cento menos do que no início da década. Entre as causas da queda do consumo mundial estão o preço mais alto do produto em relação a outras bebidas e uma maior concorrência de outros sucos.

O presidente da CitrusBR afirmou que os efeitos da queda no consumo só não foram sentidos antes pela indústria porque os furações que afetaram a produção da Flórida há alguns anos reduziram a oferta de laranja nos EUA e elevaram os preços.

MENORES PREÇOS AO PRODUTOR

A conjuntura do mercado de suco de laranja, segundo a CitrusBR, deve manter deprimidos os preços pagos aos produtores de laranja, especialmente aqueles que estão sem contratos firmados em anos anteriores com as indústrias.

Mas o presidente da Associação Brasileira dos Citricultores (Associtrus), Flávio Viegas, não vê um cenário tão sombrio, ressaltando que as exportações em 08/09 até cresceram um pouco e que os preços do produto exportado pelo Brasil no período caíram menos de 10 por cento, apesar da crise.

Viegas afirmou ainda que os estoques mundiais de passagem em 08/09, em 520 mil toneladas, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), não é dos mais altos.

"Não é um estoque excessivo, ele é suficiente para 1,8 mês de consumo", disse Viegas, queixando-se que as indústrias têm oferecido aos produtores sem contrato apenas 3,5 reais por caixa de 40,8 kg de laranja da nova safra, ante 13 reais no ano passado.

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