Exportadores brasileiros fazem projeção sombria para este ano

As exportações brasileiras de commodities vão cair mais fortemente no segundo semestre deste ano, apesar dos indícios de menor volatilidade no mercado mundial, afirmou a principal entidade do setor exportador do país, em um estudo divulgado nesta quarta-feira.

REUTERS

15 Julho 2009 | 17h47

A exportação de produtos primários vai cair 34,5 por cento no segundo semestre, enquanto nos primeiros seis meses do ano a redução percentual foi de apenas um dígito, de acordo com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

"No primeiro semestre, a queda nas exportações de produtos básicos foi de apenas 7,4 por cento, graças à antecipação do embarque de soja em grão (82 por cento do total previsto já embarcado) e à prática de preço antigo para o minério de ferro", afirmou a AEB em comunicado.

No segundo semestre, segundo a AEB, o impacto da crise será sentido mais diretamente. O preço do minério de ferro acordado pela Vale no final do semestre passado com alguns importadores na Ásia, no Japão e na Coreia do Sul, teve redução de preço de 28,8 a 44,4 por cento, dependendo da qualidade do produto.

A previsão para 2009 é que as exportações de matéria-prima ou produtos básicos caiam 22,9 por cento, passando a 56,3 bilhões de dólares.

As vendas externas de produtos industrializados serão ainda mais afetadas, com redução estimada de 27,8 por cento, fechando o ano em 86,5 bilhões de dólares, como resultado da fraca demanda mundial.

A queda na exportação de produtos industrializados é amplamente relacionada à redução de volume e provocou a diminuição da atividade industrial ou o fechamento de fábricas. Isso afetou o mercado de trabalho e a economia como um todo, afirma a AEB.

Em contraste, a exportação de commodities registrou queda por causa da redução de preços, na comparação com os recordes registrados em 2008. Os volumes de venda permaneceram relativamente altos, preservando os empregos, diz o estudo da

AEB.

A AEB alerta que pode se tornar difícil a recuperação das vendas externas de produtos manufaturados porque o Brasil perdeu fatia de mercado, principalmente para os competidores chineses, e em especial na América Latina. O país atribui o problema à forte cotação do real e à redução da renda entre os clientes de suas commodities.

As exportações do Brasil vão cair 26,1 por cento em 2009, ficando em 146,2 bilhões de dólares, mas ainda assim o país vai produzir um superávit de 21,4 bilhões de dólares, um pouco menor do que os 24,7 bilhões de dólares do ano passado.

Um dos principais campeões de vendas externas será o açúcar, com aumento previsto de 69,2 por cento (em valor), enquanto as exportações de motores e peças para automóveis vão cair 53,2 por cento.

(Reportagem de Raymond Colitt)

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