Exposições

obras do MAM, como a de Anna Bella, e do Pompidou estão juntas

O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2013 | 02h08

O que videoinstalações de norte-americanos dos anos 70 têm em comum com fotografias e gravuras de artistas brasileiros contemporâneos? À primeira vista, muito pouca coisa. E talvez por isso a mostra Circuitos Cruzados: o Centre Pompidou encontra o MAM se torne ainda mais instigante.

A ideia surgiu a partir do doutorado de Paula Alzugaray, que, em 2008, passou três meses como pesquisadora no Centro de Novas Mídias do importante museu sediado em Paris. Com a ajuda de Christine Van Assche, curadora do Pompidou, ela conseguiu trazer ao Brasil cinco trabalhos antológicos pertencentes ao acervo francês. E buscou relações entre essas obras e outras, de diferentes técnicas, que integram a coleção do Museu de Arte Moderna (MAM).

No núcleo liderado por 'The American Gift' (1975), de Vito Acconci, são discutidas questões como identidade nacional e política. A instalação sonora é composta por uma caixa fechada que erradia feixes de luz azul. Ao ficar diante dela, ouve-se a voz do artista declamando um texto em inglês (conteúdo repetido por mulheres francesas em sua língua nativa). Perto dali, está uma gravura criada por Anna Bella Geiger, em que a brasileira reposiciona a América Latina no mapa-múndi.

Na obra 'Going Around the Corner' (1970), de Bruce Nauman, o espectador passeia por um cubo, enquanto câmeras captam sua imagem. Tais imagens são projetadas em cada canto do ambiente, porém com certo atraso. "Elas são filmadas na hora, mas não são transmitidas em tempo real; então, há toda uma relação de perseguição da própria imagem", explica Paula. Formas duplicadas também aparecem em um objeto criado por Cildo Meireles. Nele, mesas de madeira são multiplicadas e, aos poucos, assumem a função de um banco ou uma cadeira.

A exposição também apresenta uma videoperformance inédita que a brasileira Lia Chaia criou especialmente para o MAM. Nela, a artista nada em uma piscina em que as raias não são paralelas - e acabam criando um percurso labiríntico. Marina Vaz

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