Extraditado frade condenado por abuso de menino na Bahia

O alemão Alexander Weber cometeu o crime em 2002 e havia fugido enquanto cumpria prisão domiciliar em Salvador

Tiago Décimo/ Com Afp, O Estado de S.Paulo

08 Abril 2010 | 00h00

/ SALVADOR

O frade alemão Alexander Nicolaus Weber, da Ordem Franciscana Santo Antônio do Brasil, chegou a Salvador (BA) ontem para cumprir pena de reclusão por crime de pedofilia, cometido em 2002, em Rio de Contas, a 738 quilômetros da capital baiana, na Chapada Diamantina.

Weber, que morava em João Pessoa (PB) à época, havia sido preso em flagrante depois que a mãe de um menino de 6 anos encontrou imagens do filho sem roupas na câmera digital do frade, que, diante das evidências, confessou o crime.

As imagens foram feitas em uma pousada de Rio de Contas, onde o religioso estava hospedado, acompanhado por um casal de turistas alemães que viajava com ele pela Bahia. O casal foi detido com Weber, mas acabou solto por falta de provas de envolvimento no caso.

Por meio de um habeas corpus, o frade foi liberado para cumprir prisão domiciliar na Casa de Repouso dos Frades Franciscanos, no bairro de Brotas, em Salvador. Ele fugiu pouco depois. Em 2007, o juiz de Rio de Contas expediu um mandado de prisão contra o religioso, condenado a cumprir pena de sete anos de reclusão. Segundo a Polícia Federal, à época Weber estava na Alemanha, que não extradita pessoas nascidas no país.

A Interpol foi acionada e incluiu o frade na chamada Difusão Vermelha, uma lista de procurados internacionais. Weber acabou sendo preso quando tentava ingressar na Inglaterra, em novembro do ano passado. Ele embarcou para o Brasil, acompanhado por agentes da Polícia Federal, na noite de anteontem. O Frade cumprirá pena na Colônia Agrícola Lafaiete Coutinho, em Salvador.

Noruega. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, pronunciou-se ontem a respeito de outro caso de pedofilia, envolvendo o ex-bispo norueguês Georg Müller, que confessou ter abusado sexualmente de um menor há 20 anos. Segundo Lombardi, o Vaticano agiu com rapidez neste caso. A Congregação para a Doutrina da Fé, que foi liderada pelo atual papa durante o pontificado de seu antecessor, tem sido acusada de abafar escândalos semelhantes para preservar a instituição.

Müller, de 58 anos, renunciou ao posto de bispo de Trondheim, no sul da Noruega, em maio do ano passado, oficialmente por incompatibilidade com o trabalho. A vítima, um ex-coroinha que hoje tem 30 anos, recebeu uma indenização da Igreja. Segundo a nota de Lombardi, o ex-bispo passou por terapia e não tem mais atividades pastorais.

Em Johanesburgo, o responsável pela Conferência Episcopal da África Austral, arcebispo Buti Tlhagale, afirmou em homilia que "a Igreja da África sofre dos mesmos males", referindo-se à pedofilia. "A má conduta dos sacerdotes africanos não foi exposta pela mídia com a mesma visibilidade que no resto do mundo", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.