FAB visualiza mais destroços do AF447 em nova área do Atlântico

Aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) avistaram nesta sexta-feira mais destroços do avião da Air France que caiu no oceano Atlântico no dia 31 de maio, em uma nova área de buscas, e autoridades disseram que até o dia 20 ainda há chances de se encontrar corpos no mar.

REUTERS

12 Junho 2009 | 13h11

Devido ao movimento das correntes marítimas, os aviões de busca visual da FAB foram deslocados para oeste do ponto de concentração inicial das buscas, a 850 km a noroeste de Fernando de Noronha, e conseguiram avistar diversos destroços, informou a Aeronáutica.

"Direcionamos as buscas para os locais mais prováveis e já tivemos informação de avistamento de destroços, e os navios estão sendo direcionados para esse local", disse a jornalistas no Recife o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Aeronáutica.

As equipes de busca da FAB e da Marinha, com ajuda de embarcações e aeronaves da França, já resgataram 44 corpos de vítimas do voo AF 447, que caiu quando fazia a rota Rio de Janeiro-Paris com 228 pessoas a bordo.

De acordo com o brigadeiro, "até o dia 20 ainda seria possível, teoricamente, encontrar (corpos)".

Os destroços visualizados nesta sexta-feira estão numa área de jurisdição do Brasil, e serão levados pelos navios ao Recife, onde já estão as primeiras partes da aeronave recolhidas do mar. Todos os destroços ficarão à disposição da França, que é responsável pela investigação do acidente.

No próxima dia 14, um técnico francês chegará ao Brasil para fazer uma perícia inicial das peças e avaliar se os destroços serão levados para a França ou se a perícia completa será realizada em território brasileiro.

Uma parte da cauda do avião encontrada no mar que é vista por especialistas como importante para a investigação também chegará ao Recife no dia 14, de acordo com a Marinha.

"Todos os destroços tem uma relevância muito grande, porque a análise deles permite aos investigadores identificar, ou pelo menos ter um auxilio para identificar, qual foi a causa do acidente", disse o brigadeiro.

Sobre a busca pelas caixas-pretas, que é realizada por um submarino nuclear francês, o brigadeiro disse não ter nenhuma novidade.

Seguindo uma orientação das autoridades brasileiras, a procura é realizada numa área de 65 a 70 km de raio a partir do local onde houve o último contato da aeronave antes do acidente, mesmo local onde se concentram as buscas por corpos e destroços. A profundidade na área é de cerca de 3.500 metros.

Em comunicado, a FAB e a Marinha informaram que as buscas vão continuar apesar de a meteorologia indicar "uma acentuada piora das condições de tempo e visibilidade na área de buscas, o que poderá comprometer os trabalhos".

O brigadeiro afirmou que o planejamento das forças está pronto para continuar com as operações até o dia 25, mas ressaltou que a partir do dia 17 haverá uma reunião a cada dois dias entre Marinha e FAB para avaliar os achados que estão acontecendo e decidir a continuidade das buscas.

No Recife também acontece a identificação dos primeiros 16 corpos resgatados. Segundo a Polícia Federal, não há previsão para o encerramento das identificações. Outros 25 corpos estão em Fernando de Noronha, onde passam por uma verificação preliminar, e mais três estão a bordo de um navio da Marinha.

(Por Pedro Fonseca; Edição de Tatiana Ramil)

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