Fábrica de sucos AdeS será vistoriada

Anvisa pediu inspeção das instalações da Unilever onde ocorreu a contaminação de um lote da bebida com soda cáustica, em MG

MARIANA LENHARO , RENE MOREIRA , ESPECIAL PARA O ESTADO / FRANCA, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2013 | 02h04

A fábrica da Unilever na cidade de Pouso Alegre (MG), onde foi fabricado um lote de suco AdeS contaminado com solução de limpeza, será inspecionada a pedido da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A Vigilância Sanitária de Minas Gerais deverá analisar todas as etapas de produção. A medida foi anunciada ontem, um dia após a Unilever, dona da marca, ter anunciado um recall de um lote do suco de maçã AdeS de 1,5 litro por risco de queimadura. Segundo a fabricante, a contaminação foi detectada no lote com as iniciais AGB 25, fabricado em 25 de fevereiro e com validade até 22 de dezembro.

Pelo menos 14 pessoas consumiram algum volume do lote contaminado. Segundo a Unilever, os consumidores foram atendidos por meio do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa e 12 deles receberam cuidados médicos e passam por acompanhamento. Dois clientes que relataram o problema à empresa não quiseram ser atendidos. Ainda de acordo com a Unilever, 96 unidades do produto foram contaminadas.

A substância que foi acidentalmente misturada ao suco no momento do envasamento foi soda cáustica (solução de hidróxido de sódio a 2,5%), segundo a Unilever. Uma falha no processo de higienização fez com que a solução usada para limpar as máquinas se misturasse ao suco. A falha, diz a empresa, já foi solucionada e os produtos ainda presentes nos pontos de venda estão sendo recolhidos.

Efeitos. Segundo o médico Sérgio Graff, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor médico da clínica Toxiclin, especializada em casos de intoxicação, a soda cáustica pode, em grandes concentrações, ser irritante, corrosiva e causar queimaduras.

"Em quantidade pequena, pode não provocar quase nada", diz. Ele afirma que é difícil prever os prejuízos à saúde sem saber a quantidade da substância presente em cada embalagem.

A médica Andrea Sette, do Hospital e Maternidade São Luiz, diz que a ingestão de soda cáustica não provoca uma intoxicação sistêmica, mas uma reação local. "Tudo depende da concentração, da diluição e da apresentação da substância", diz. Na forma líquida, a substância passa mais facilmente pela faringe e esôfago, e as lesões podem se concentrar na porção do estômago e do duodeno.

"Quando há ingestão por acidente, ocorre uma lesão química do tecido da mucosa, que altera tanto o pH quanto a temperatura local, o que pode resultar numa necrose."

Os médicos recomendam que qualquer pessoa que tenha consumido suco do lote indicado procure um serviço de saúde, mesmo sem ter apresentado problemas de saúde. Um tratamento de precaução à intoxicação pode amenizar os sintomas.

Direitos. O consumidor que tiver consumido suco do lote contaminado pode pedir na Justiça reparação por danos morais e patrimoniais. A informação tem como base o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e consta em nota divulgada pelo Procon-SP anteontem. Em casos como esses, diz o Procon-SP, a empresa deverá apresentar esclarecimentos, inclusive com informações claras e precisas sobre os riscos para o consumidor.

"O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança", diz o artigo 10 do CDC. 

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