Facebook impele plano antibullying

Desabafo de garota de 15 anos na rede social leva à adesão de centenas de pessoas a protesto

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2012 | 02h07

Uma das colegas de Maisie Kate Miller sempre tinha algo humilhante a dizer - sobre seu corpo, seu namorado, suas roupas. Mas a última provocação, que nem era grande coisa, levou a menina de 15 anos, que cursa o segundo ano do ensino médio em uma escola de Marblehead, uma tradicional vila de pescadores ao norte de Boston, às lágrimas, há algumas semanas.

Na escada da escola, a outra garota, famosa por ser uma boa atleta, tirava sarro do penteado de Maisie: "Quem ainda usa marias-chiquinhas? O que é isso, estamos no jardim da infância?"

"Eu me virei e ela disse: 'Sai andando!'", conta Maisie. "Não sei, eu estava tendo uma semana difícil e quando eu cheguei à sala de aula de biologia, estava chorando." Ela contou o caso para sua mãe, Joanna Miller, por meio de uma mensagem de texto. "Não ligue para isso", foi o conselho que recebeu de volta.

Mas Maisie teve uma ideia: resistência passiva. Em vez de fugir ou de retribuir as agressões da colega, ela resolveu continuar usando marias-chiquinhas durante toda aquela semana, dando a mensagem de que ela gosta de ser do jeito que é e talvez conseguir que uma ou duas amigas seguissem seu exemplo.

Ela então desabafou no seu perfil na rede social Facebook, onde contou o seu plano. E foi para o seu trabalho de babá.

Quando ela voltou a acessar seu perfil, algumas horas depois, ficou impressionada ao encontrar mais de 500 mensagens e centenas de pedidos de amizade. "Eram pessoas que eu nem conhecia. Eu comecei a tremer e não conseguia parar."

Ela então escreveu outra mensagem no site, pedindo que não ocorressem abusos. "Gostaria de lembrar às pessoas de que este é um protesto contra o bullying", publicou. "Portanto, agredir a agressora seria contra o movimento", que ela batizou de Marias-Chiquinhas pela Paz.

Reação. No dia seguinte, a maioria das pessoas na escola - garotas, garotos, pelo menos um dos professores e até um cachorro - usavam marias-chiquinhas e a agressora estava ausente.

"Eram centenas, quase todos do 2.º ano, copiando o penteado da Maisie", disse Loren Weston, conselheira da escola, onde mantém um programa contra o bullying.

Desde então, a estudante que humilhou Maisie não apenas parou com as provocações como também mandou um pedido de desculpas por meio de amigos. "Ela também passou por maus bocados", disse a compreensiva Maisie, que também afirma esperar que um dia elas possam conversar sobre o caso. Maisie também recebeu muitas mensagens de agradecimento de outras vítimas da mesma agressora, que também parou de incomodá-las. / THE WASHINGTON POST

(de óculos)

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