Faculdades podem expulsar quem fraudou vestibular

Instituições afirmam que, após serem notificadas, vão seguir as orientações da PF - que recomenda a expulsão dos envolvidos

DAVI LIRA, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2012 | 02h04

Faculdades privadas de Medicina que tiveram vestibulares fraudados nos últimos 18 meses afirmaram ontem que, após serem notificadas, seguirão as orientações da Polícia Federal - a PF recomenda que os candidatos que burlaram os exames sejam expulsos das instituições. Anteontem, a PF prendeu ao menos 52 pessoas envolvidas no esquema em 38 faculdades, como parte da Operação Calouro.

Segundo a PF, cerca de mil candidatos tentaram se beneficiar da fraude no período e ao menos dez conseguiram a vaga.

"Assim que recebermos a comunicação oficial da PF, com a comprovação dos envolvidos, levaremos o caso ao nosso conselho universitário. E o caminho natural será a expulsão dos alunos", afirma José Roberto Castro, pró-reitor de graduação da Universidade de Marília (Unimar), localizada no interior de São Paulo.

A vice-reitora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Patrícia Bernardes, afirmou, em nota, que a ação da PF para combater as fraudes nos vestibulares é imprescindível para a "proteção da educação, em especial, e da sociedade como um todo". Patrícia destacou que a instituição tem um "dos mais rigorosos protocolos e procedimentos de segurança, lisura e correção" no vestibular e acompanhará os desdobramentos da Operação Calouro.

A Pontifícia Universidade Católica de Campinas, informou, em nota, que não recebeu comunicados sobre a ocorrência do problema "nem antes nem durante nem após" a realização da operação da PF. Afirmou que, assim que notificada, "tomará eventuais providencias". A listagem de estudantes envolvidos no esquema ainda não foi enviada às universidades.

A Universidade Anhembi Morumbi destacou que contrata empresas organizadoras de concurso para que sejam responsáveis pelo esquema de segurança das provas. Já o Grupo Anhanguera Educacional e a Universidade Estácio, do Rio de Janeiro, disseram que já haviam descoberto fraudes anteriormente e elas já foram solucionadas.

Segundo a PF, em cada edição dos vestibulares as quadrilhas chegavam a arrecadar até R$ 400 mil. Mas o pagamento do valor combinado dependia da aprovação do aluno. No entanto, segundo o Estado apurou, algumas delas chegavam a cobrar cerca de R$ 5 mil como adiantamento. A quadrilha arrecadava, em média, R$ 15 mil por aluno, pela transmissão eletrônica dos gabaritos.

Explicação. A compra de vagas pode ser motivada pela dificuldade de o candidato ser aprovado no vestibular de Medicina no Brasil. "Hoje, a seleção para as 197 escolas de Medicina do País é bastante concorrida e tem um nível de exigência alto, independentemente de a faculdade ser pública ou privada", diz Marcela Vieira, coordenadora-geral da Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina.

Segundo levantamento feito pela reportagem nas principais faculdades privadas envolvidas, até 84 candidatos podem disputar uma única vaga, como é o caso na PUC-MG.

"Sempre preenchemos as cem vagas que ofertamos", diz José Roberto Castro, pró-reitor de graduação da Unimar. A mensalidade da instituição custa mais de R$ 6 mil e não há evasão de alunos no decorrer do curso.

Consultado, o Ministério da Educação (MEC) informou que somente após ter acesso aos autos do inquérito policial instaurado pela PF vai propor as "devidas ações de supervisão em todas as instituições apontadas".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.