Falha adia 3ª tentativa de acabar com vazamento; mancha triplica em 1 mês

Ambiente. Serra com dentes de diamantes utilizada para cortar oleoduto ficou presa e foi solta apenas no fim da tarde. Temporada de furacões, que começa em julho, também preocupa - eles podem acelerar a chegada do petróleo às costas dos Estados Unidos

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2010 | 00h00

        

Desastre. Equipe que atua no combate aos danos ambientais no Golfo do México passa por família em praia na Ilha Dauphin: óleo pode vazar até dezembro

 

 

 

A tentativa de estancar o vazamento de petróleo no Golfo do México sofreu outro revés. Técnicos da BP, responsável pela plataforma que explodiu em 20 de abril, tentavam serrar o oleoduto para encaixar um domo de contenção que desviaria o fluxo de óleo para um navio. Para isso, usam uma serra com dentes de diamantes. Mas a serra ficou presa no duto e só foi solta no fim da tarde. Isso vai atrasar a manobra, batizada de "cortar e tampar".

A plataforma Deepwater Horizon explodiu há 44 dias e calcula-se que entre 80 e 160 milhões de litros de petróleo tenham contaminado o golfo. A mancha de petróleo triplicou de tamanho em um mês e é duas vezes maior que a Jamaica. Trata-se do maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos,

O petróleo atingiu praias do Alabama e do Mississippi, além da Louisiana. A mancha de petróleo estava a apenas 16 quilômetros da costa da Flórida e deve atingir o Estado em dois dias, disse o governador Charlie Crist. O governo estendeu as restrições à pesca, que agora atingem 37% da área do golfo.

A manobra de "cortar e tampar" pode aumentar temporariamente o fluxo de óleo em 20%, antes que seja colocada a tampa. É a terceira técnica empregada pela BP na tentativa de estancar o vazamento ou coletar o óleo.

A temporada de furacões, que se inicia em julho, é outra preocupação. Ela deve acelerar a chegada do petróleo às costas. "Não queremos assustar ninguém, mas é preciso ser realista", disse o diretor do distrito Plaquemines na Louisiana, Billy Nungesser. Segundo ele, os moradores que evacuarem a área por causa de um furacão podem voltar e "encontrar suas casas não inundadas, mas totalmente contaminadas com petróleo".

O vazamento afeta politicamente o presidente Barack Obama, visto como impotente diante do desastre sem solução. Uma pesquisa da Quinnipiac divulgada anteontem mostra que 42% dos americanos desaprova a maneira pela qual ele lida com o acidente, enquanto 39% aprovam.

Ontem, o presidente da BP, Tony Hayward, pediu desculpas por uma declaração "insensível" que deu a órgãos de imprensa. Anteontem à noite, Hayward disse que não via a hora de o vazamento acabar, queixando-se: "Eu quero minha vida de volta." A declaração foi criticada e ridicularizada por cidadãos e autoridades da área do golfo. Ontem, ele disse estar "horrorizado" com sua declaração e pediu desculpas às "famílias dos 11 homens que morreram na explosão da plataforma".

Natal negro. Doug Suttles, diretor de operações da BP, disse que a manobra de "cortar e tampar" deve coletar a grande maioria do petróleo, se bem sucedida. Se não, a empresa conta com poços auxiliares que constrói e que devem ficar prontos em agosto. Mas alguns especialistas contam com a possibilidade de o vazamento se estender até o Natal.

Esta seria uma situação catastrófica, na qual 4 milhões de barris de petróleo terão vazado, destruindo a vida marinha em várias partes do golfo, segundo Harry Roberts, professor da Louisiana State University. A BP já gastou US$ 1 bilhão em esforços de contenção e limpeza, não incluindo processos e indenizações. A empresa está sob investigação criminal nos EUA.

As consequências

160

milhões de litros de petróleo podem ter vazado desde a explosão da plataforma, em 20 de abril

42

milhões de litros de óleo vazaram no desastre com o Exxon Valdez, em 1989 - até então a maior tragédia em território americano

US$ 760 mi

devem ser usados para conter o vazamento, segundo a BP

 

 

 

 

 

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