Falha de foguete atrapalha sonho indiano de explorar a Lua

A missão indiana à Lua, prevista para 2008, se vê cada vez mais distante, depois do fiasco do lançamento do foguete GSLV-F02, que explodiu no ar, acertando um duro golpe no programa espacial da Índia.Depois do fracasso, os cientistas indianos se apressaram em assegurar que a corrida espacial segue adiante e que terá êxito, mas seu otimismo não consegue evitar que uma grande sombra se projete sobre a estrela do programa: a esperada missão à Lua. Milhões de telespectadores assistiram na segunda-feira ao satélite de comunicações INSAT-4C e o foguete GSLV-F02 que o transportava, avaliados em US$56 milhões, se desintegrarem no ar apenas 60 segundos depois do lançamento." É um episódio infeliz", disse o cientista espacial U. R. Rao, ex diretor da Organização para a Pesquisa Espacial da Índia (ISRO) que afirmou estar convencido de que a causa da falha será encontrada e as coisas serão colocadas no lugar."Neste momento, é importante lembrar que a Índia teve pouquíssimos fracassos em programas espaciais, e que isto não significa um desvio: temos um longo caminho pela frente", acrescentou.O certo é que muitas esperanças foram fragmentadas com a explosão do foguete e do satélite. Para muitos, o episódio foi um duro golpe na "odisséia do espaço" indiana e afasta o sonho de que a Índia se converta na primeira potência asiática a enviar uma nave não tripulada à Lua, em competição dura com a China, que quer fazê-lo em 2007.A missão indiana, conhecida como Chandrayaan-I, tem como objetivo colocar um veículo espacial de 525 quilos na órbita da Lua, o que permitiria traçar mapas de alta resolução da composição química, mineral e geológica do solo lunar.Em dezembro do ano passado a Índia colocou com sucesso em órbita o antecessor do INSAT-4C, o satélite INSAT-4A, um lançamento que foi feito na Guiana francesa, a bordo do veículo espacial europeu Ariane. Depois disso, os cientistas indianos tinham decidido enviar o próximo satélite com seu próprio foguete, de fabricação nacional.O desastre de segunda-feira fez voar pelos ares os planos de estabelecer serviços de televisão digital e arruinou as previsões de empresas de comunicação como as cadeias de televisão internacionais Sun, CNBC e Times TV, que haviam reservado espaço no satélite.A frustração foi ainda maior ao ser somada à decepção do dia anterior pela falha no teste do míssil balístico Agni III, o mais sofisticado dos mísseis de longo alcance com capacidade nuclear e fabricado na Índia.

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