'Falta cultura florestal ao produtor', diz especialista

A celeuma em torno do Código Florestal está longe de acabar. Com a iminência da votação do projeto na Câmara dos Deputados, questões como a anistia aos desmatadores, a diminuição das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a manutenção das Reservas Legais voltaram à tona.

KARINA NINNI, MARTA SALOMON / BRASÍLIA, KARINA NINNI, MARTA SALOMON / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Março 2012 | 03h02

"Não consideramos o perdão das multas como anistia, pois quem desmatou o que não devia terá de recuperar as áreas que degradou", afirma Cesario Ramalho da Silva, presidente da Sociedade Rural Brasileira. Ele crê que o desmatador será monitorado por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

"Quem infringiu a lei vai se comprometer a recompor a floresta. O produtor não é um bandido", defende Silva.

Mercado. A necessidade de recomposição dos 18 milhões de hectares desmatados ilegalmente deve aquecer o mercado de mudas e sementes, diz o agrônomo Eduardo Ciriello, diretor da Tropical Flora Reflorestadora. "Nos últimos cinco anos, com a atuação mais firme dos órgãos fiscalizadores, a quantidade de viveiros de mudas já dobrou no País. Se todo mundo que tiver de recompor áreas realmente o fizer, vai faltar muda e semente."

Para ele, um entrave a uma negociação racional em torno do Código é a falta de cultura florestal do produtor rural brasileiro.

"Ele não está acostumado a ver, na reserva legal, um espaço que também pode ser produtivo. Ele pode consorciar espécies nativas que não produzem com nativas produtivas de madeira de lei, por exemplo", afirma. "A RL virou uma coisa mítica, um espaço em que ninguém mexe. Isso deveria ser mais discutido."

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