Falta d'água fica em segundo plano na CPI da Sabesp

As discussões sobre a falta d''água na cidade de São Paulo ficaram em segundo plano no início da sessão desta quarta-feira, da CPI da Sabesp na Câmara de Vereadores paulista. Os vereadores que compõem a comissão debateram a publicação por órgãos de imprensa de trechos de diálogo entre a presidente da Sabesp, Dilma Pena, e o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) durante a reunião pública da CPI realizada na semana passada.

LUCIANA COLLET, Estadão Conteúdo

15 de outubro de 2014 | 13h17

Enquanto tentava tranquilizar a presidente da Sabesp sobre sua participação na CPI, Matarazzo disse que a comissão não tinha "a menor consequência" e ambos classificaram a CPI como "teatrinho". Também comentaram sobre o vereador ex-tucano José Police Neto (PSD), que é membro da comissão. Dilma teria dito que o vereador "é muito sem-vergonha", enquanto Matarazzo teria chamado Police Neto de "vagabundo".

"Estamos aqui não para fazer teatro, mas para defender interesse da população", disse o presidente da comissão, Laércio Benko (PHS), ao abrir a sessão. Na sequência, Police Neto pediu a palavra e, após criticar as declarações e o comportamento da presidente da Sabesp e do vereador peessedebista, disse que estava disposto a ser investigado, mas sugeriu a mesma investigação dos "acusadores". Ele também comentou que recorreria aos órgãos judiciais sobre o caso. "Aqui, invertemos os papéis, discutíamos o problema da água, passamos a discutir o racionamento ético, racionamento moral, e esse não se esgota com a chuva", disse, concluindo sua exposição.

Dilma Pena disse estar "bastante constrangida" e considerou o comentário como "infeliz". Ela também exaltou Police Neto, dizendo que ele teve um papel importante durante as discussões que resultaram no contrato entre a prefeitura de São Paulo e a Sabesp.

Presente na reunião da sessão CPI desta quarta-feira, Andrea Matarazzo pediu a palavra, mas o pedido foi negado. Mais tarde, após iniciar os questionamentos à Dilma Pena sobre a falta d''água, a comissão leu uma nota de Matarazzo, na qual o vereador pediu desculpas sobre os termos "infelizes" utilizados na conversa privada com Dilma Pena, que teriam sido feitos em um "momento de irritação".

Ele esclareceu que a expressão teatro teria sido utilizada se referindo ao "exagero da linguagem próprio da arena política" e que quando disse "não ter consequência", se referia ao fato de "não existir nenhuma questão que a presidente da Sabesp não estivesse mais do que qualificada para explicar tecnicamente àquele foro".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.