Falta de combustível pressiona política de preços fixos da China

Demanda interna aumentou 6,2% em fevereiro; preço é fixado pelo governo.

Marina Wentzel, BBC

24 de março de 2008 | 16h10

Intermináveis filas em postos de abastecimento e a alta internacional do petróleo pressionam o governo da China a aumentar a oferta de combustíveis e a reajustar preços, mas não há previsão oficial de quando isso vai acontecer.A falta de combustíveis começou na região de Guangdong há uma semana e, desde então, já foram registradas longas filas em postos de gasolina nas cidades de Xangai e Chongqing e nas províncias de Jiangsu, Zhejiang, Fujian, Henan e Hubei, informou nesta segunda-feira o jornal South China Morning Post.Na China, os combustíveis são tabelados pela Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (CNRD), que decide o preço independentemente da cotação no mercado internacional, onde atualmente o barril de petróleo é negociado acima dos US$ 100. Com a política de preços fixos, as refinarias nacionais não podem repassar aos consumidores a elevação nos custos que têm com a alta do petróleo no mercado internacional.Sem opção de lucro, as empresas dependem dos subsídios estatais para poder se manter. Há cerca de uma semana, por exemplo, a petroleira Sinopec recebeu US$ 1,7 bilhão do governo como compensação pelas perdas resultantes da política de preços. A China reluta em aumentar os preços dos combustíveis, pois tem sofrido forte pressão inflacionária. Em fevereiro, o índice de preços ao consumidor teve aumento de 8,7%, o maior dos últimos 11 anos. Mas não se sabe por quanto tempo o governo conseguirá resistir à mão invisível do mercado. A demanda implícita por petróleo aumentou 6,2% em fevereiro, quase o dobro do crescimento de 3,3% registrado em janeiro. A média do ano passado foi de 3,5%, informou a agência de notícias estatal Xinhua. A mesma situação de disputa entre preços livres e tabelados foi vista em novembro do ano passado, quando pequenas refinarias pararam a produção pela falta de lucro, o que gerou caos em algumas cidades.Na época, a falta de combustíveis levou o governo a reajustar os preços em 8%, mas a maioria das pequenas refinarias não retomou a produção, deixando o mercado para as gigantes semi-estatais Sinopec, Petrochina e CNOOC, China National Offshore Oil Corporation.As causas da atual falta de combustíveis ainda não foram oficialmente anunciadas pelo governo em Pequim mas, segundo Yao Daming, diretor da Associação de Petróleo e Gás de Guangdong, a quebra de abastecimento desta vez teria sido causada por distribuidores que fizeram estoque, tentando se antecipar a uma alta nos preços."Com o barril a US$ 100 na sexta-feira, caindo de US$ 110, eu espero ver a demanda aliviar nesta semana", disse Yao ao South China Morning Post.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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