Falta de sono reduz capacidade de aprendizado do cérebro

Cientistas já têm diversas evidências de que o sono é importante para a consolidação das memórias: depois de aprender um fato novo, dormir ajuda a fixar o conhecimento. Agora, uma nova pesquisa mostra que ter dormido bem, antes de começar um aprendizado novo, também é essencial. Trabalho realizado por pesquisadores ligados à Universidade Harvard, e publicado online neste domingo, 11, pelo periódico Nature Neuroscience, mostra que a privação de sono parece interferir com a função do hipocampo, uma área do cérebro responsável pela formação de memórias. Estudos anteriores já mostraram que lesões no hipocampo podem não só causar amnésia, como afetar a capacidade do cérebro de imaginar situações novas."As redes de memória do cérebro humano, especificamente o complexo do hipocampo, parecem suscetíveis ao impacto da privação de sono, mesmo após uma única noite", diz o trabalho divulgado no domingo.Para realizar seu estudo, os cientistas recrutaram 28 voluntários que tiveram de decorar uma série de fotografias. Parte dos voluntários teve permissão para dormir normalmente antes da seção com as fotos, realizada bem cedo pela manhã. Outra parte teve de ficar acordada por 35 horas antes da seção de memorização.Depois de dois dias de descanso, incluindo duas noites de sono para eliminar os efeitos da fadiga, todos os voluntários tiveram de separar as fotos apresentadas na seção de memorização de fotos novas, misturadas à pilha original. Mesmo depois das 48 horas de repouso, os participantes que haviam tomado parte na seção de memorização sem dormir saíram-se pior que os que tinham dormido: a performance do grupo de privação de sono foi 19% inferior à do grupo de controle. De acordo com dados levantados por ressonância magnética realizada nos voluntários durante a seção de memorização, os participantes do grupo submetido á privação de sono mostraram, além de algumas dificuldades em áreas do cérebro ligadas à capacidade de atenção, problemas marcados na ativação em partes do hipocampo. Na conclusão do estudo, os autores afirmam que seus resultados apontam para um "déficit acentuado na capacidade neural humana de codificar novas memórias" quando uma pessoa é submetida à privação de sono.

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