''Falta informação sobre como agir''

ENTREVISTA - Rachel Biderman, pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas; para especialista da FGV, consumidor brasileiro precisa buscar saídas para a ausência de alternativas no mercado

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

Os números da pesquisa Sustainable Futures 2009 indicam que os brasileiros têm elevado grau de consciência sobre questões ambientais. Apesar disso, a pesquisadora de consumo e mudanças climáticas do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (Ces/FGV) Rachel Biderman acredita que ainda faltam informações de caráter prático para que a teoria se converta em ações efetivas. Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

O que explica o fato de que cinco das dez principais preocupações dos brasileiros estejam ligadas à questão da sustentabilidade?

Informações sobre temas socioambientais se disseminaram na última década. A temática também foi incorporada em todos os níveis de ensino. O nível de preocupação de formadores de opinião e tomadores de decisão também aumentou. Portanto, os temas relacionados à sustentabilidade estão mais presentes nos meios de comunicação, nos espaços de debate público e até político. Isso explica, em parte, o incremento da preocupação do brasileiro com matérias dessa natureza. O tema das mudanças climáticas globais, dada a complexidade, o nível de urgência e os impactos reais, talvez tenha acelerado e fortalecido a cobertura jornalística, o que reflete sobre a opinião pública.

Você acha que há um descolamento entre essa consciência de sustentabilidade e a ação? Por quê?

Sim. Muitas pessoas podem estar cientes dos problemas, mas não sabem nem por onde começar a agir. Estão recebendo grande volume de informação sobre os fatos, os danos ambientais, mas pouca informação sobre como agir. Isso é um desafio. Muitas ONGs, centros de pesquisa e empresas já começam a produzir material, mas ainda falta investimento em comunicação e educação para que o impacto seja maior.

O que falta, no seu entender, para que o brasileiro tome mais atitudes práticas?

Algumas respostas não dependem apenas da ação individual, mas sim da oferta de alternativa por parte dos setores público e privado. No caso público, um exemplo claro é a oferta de transporte público de qualidade, não poluente ou menos poluente. No setor privado, a oferta de produtos sustentáveis a preços acessíveis é outro exemplo. Mas a falta de alternativas não é desculpa para inação. É preciso buscar saídas. Se ninguém quiser ajudar, não haverá mudança.

Você acredita que o brasileiro realmente esteja premiando ou punindo empresas conforme o grau de responsabilidade socioambiental?

Creio que isso depende de uma combinação de fatores, como nível de escolaridade, percepção e informação do cidadão. Depende também do bolso. Aqueles que hoje consomem produtos orgânicos ainda são os privilegiados em termos econômicos. É preciso que se garanta produção em escala adequada para ampliar o acesso a produtos mais saudáveis.

As empresas e marcas estão sendo ineficientes ao comunicar sustentabilidade ao consumidor?

Não creio que esse seja o problema. Há ainda alguns desafios. Ações de comunicação acabam sendo mais eficazes e impactantes se associadas a uma comprovação da ação concreta em prol do equilíbrio socioambiental.

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