Falta marketing para carne brasileira

Para especialista, País precisa destacar diferenciais de seus[br]produtos para conquistar consumidor aqui e lá fora

O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2008 | 02h41

O mercado consumidor está cada vez mais exigente. Hoje em dia, certificados e garantias de origem são ferramentas essenciais para comercialização, principalmente quando o destino é o mercado externo. Com a carne não é diferente. "No mercado externo o produto carne é cada vez mais procurado pelas marcas, conseqüentemente mais valorizadas", avalia o consultor Miguel da Rocha Cavalcanti, diretor de Marketing da Agripoint. O consultor acredita que, para garantir o aumento da demanda e a valorização da carne no mercado exterior, o Brasil precisa investir massivamente no marketing. "Foi o que fizeram os Estados Unidos, difundindo informações sobre o teor nutricional da carne, ensinando a prepará-la, desenvolvendo produtos inovadores. Um trabalho pró-ativo de construção da marca Carne Bovina", exemplifica. Conforme destacou Cavalcanti em sua palestra durante o 2º Encontro de Produtores do Programa de Modernização da Pecuária de Corte (Moderpec), realizado durante a Feira Internacional do Agronegócio (Fenagro), que terminou na semana passada, em Salvador (BA), a estratégia de marketing passa necessariamente pelo conceito e pela imagem do produto no mercado externo. E é aí que está o gargalo brasileiro. "O Brasil precisa de uma melhor coordenação vertical da cadeia produtiva da carne bovina. Essa deficiência torna o setor lento na tentativa de acompanhar as mudanças do mercado, no atendimento às demandas do consumidor moderno", explica o consultor. QUALIDADE E CONSTÂNCIA Segundo ele, é necessário garantir a qualidade, a uniformidade e a constância da produção e da exportação da carne bovina brasileira. "E, claro, divulgar esses êxitos, esses avanços." Mas a estratégia de marketing começa na fazenda, na produção dos animais. "A indústria frigorífica tem as estratégias para criar produtos diferenciados, mas não dá para esticar um contrafilé ou amaciar um coxão duro", diz a gerente de Marketing do Frigorífico Independência, Carolina Barretto. "Três fatores determinam o potencial do produto para ser classificado como diferencial: genética, nutrição e manejo. E eles dependem do pecuarista", complementa o gerente de Projeto Especiais do Grupo Marfrig, Roberto Barcellos. Para Carolina, a criação de programas de classificação de carcaça, por exemplo, que avalia a qualidade da carne e bonifica os pecuaristas pela qualidade do animal, é mais que uma tendência, "é uma obrigação". "O pecuarista tem direito de receber a mais pela qualidade. E é uma forma de a indústria estimulá-lo a produzir em conformidade com o que o mercado quer. Há diferença entre criar boi e produzir carne", acredita, destacando que o que falta para o Brasil é fortificar os atributos de seus produtos. Além disso, Barcellos destaca a importância de o produtor investir na padronização de seu rebanho. "É preciso transformar genética, nutrição e manejo em padrão, volume e regularidade. A partir daí, a indústria pode desenvolver novos produtos, novas marcas", diz.

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