Falta resultado sobre suco do Brasil nos EUA frustra indústria

A ausência de resultados sobre o suco de laranja do Brasil testado pelo órgão regulador para alimentação e medicamentos norte-americano (FDA) frustra a indústria brasileira, que segue em missão para os Estados Unidos nesta semana, onde apresentará sua argumentação técnica e jurídica ao FDA, disse uma fonte do setor.

REUTERS

23 de janeiro de 2012 | 18h36

A audiência será em Washington, na sede do FDA, e contará com representantes das associações da indústria de suco do Brasil (CitrusBr), dos Estados Unidos (JPA) e da associação dos Processadores de Citrus da Flórida.

"Esperávamos que o FDA apresentasse os resultados do suco brasileiro em análise... o resultado saiu, mas não teve nada do Brasil", disse a fonte da indústria.

Segundo a fonte da indústria, que pediu para não ser identificada, desde que foi registrada a presença do fungicida carbendazim no suco brasileiro, na primeira semana de janeiro, advogados e representantes das empresas só tiveram contato com o FDA através de ligações telefônicas e teleconferências.

Na última sexta-feira, o FDA anunciou que o suco de cinco países -Canadá, México, Honduras, Costa Rica e Belize- tem níveis seguros do fungicida, ou seja abaixo de dez partes por bilhão (ppb), mas não fez menção ao produto brasileiro.

"Foi um disse, mas não disse... estamos em compasso de espera", disse a fonte mencionando a expectativa tanto da indústria brasileira como a americana sobre os esperados resultados das análises conduzidas pelo FDA.

Temores de que os EUA embarguem o produto do Brasil, por conta da presença do fungicida ilegal em território norte-americano no suco brasileiro, levaram os futuros da commodity a fecharem em um recorde histórico de 2,1995 dólares por libra-peso na bolsa de Nova York. Na máxima intradia, o contrato março atingiu 2,2695 dólares nesta segunda-feira.

O FDA disse ter coletado 45 amostras e realiza testes desde 4 de janeiro. Dezenove das testadas contêm níveis seguros de carbendazim. Outras 26 amostras estão sendo analisadas.

A audiência na quinta-feira será o primeiro encontro formal com o FDA com representantes da indústria, tanto brasileiros como norte-americanos, e ocorre um dia antes da esperada divulgação de novos resultados das amostras ainda em análise.

No encontro, eles pretendem apresentar estudo sobre o impacto econômico de possíveis restrições ao setor e explicar a metodologia, uma vez que a indústria brasileira trabalha dentro dos níveis considerados seguros pelo Codex Alimentarius.

"Vamos levar toda a avaliação do que está acontecendo para encontrar uma solução comum", acrescentou.

O Brasil, maior exportador global, fornece mais de 10 por cento do suco de laranja dos Estados Unidos.

Esta fonte ponderou que os níveis do fungicida acima do permitido ocorrem principalmente no suco de laranja concentrado, que responde por cerca de 35 por cento das 170 mil toneladas de equivalente de suco concentrado (fcoj, na sigla em inglês) exportado para os EUA. E esta é a questão que deve ser discutida.

Segundo ele, o suco NFC (not from concentrate), que corresponde a 65 por cento destas vendas, na sua maioria tem níveis abaixo de 10 ppb, permitidos nos EUA.

Sobre as fortes oscilações de preços, ele considera que elas podem prosseguir ao longo desta semana, até que o FDA divulgue o resultado das demais amostras em análise.

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