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'Faltam recursos no País', diz criador de software que analisa poluentes

Engenheiro e professor no Canadá, o cearense Jesse Thé elogia lei, mas vê escassez de verba

Entrevista com

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2012 | 02h09

Há 15 anos, pouco após iniciar o doutorado na Universidade de Waterloo, o engenheiro cearense Jesse Thé desenvolveu no Canadá um sistema de cálculos para prever a concentração de poluentes na atmosfera. Hoje, presente em mais de 150 países, o software é adotado por 75% das empresas dos EUA que precisam controlar suas emissões (na Alemanha, são 98%) e é usado por governos no combate aos gases-estufa.

Thé voltou ao País para a Feira Internacional de Meio Ambiente Industrial e Sustentabilidade (Fimai), que se encerra hoje em São Paulo.

Como surgiu a ideia? Um dos primeiros projetos foi em uma empresa mineradora do Canadá, que sofria prejuízo diário de US$ 10 milhões quando havia excedente de enxofre na atmosfera. Com o sistema que criamos, é possível prever em até 48 horas como se dará a diluição desses poluentes. Assim, a empresa reduziu a atividade sem parar as máquinas.

Como ajuda o meio ambiente? O programa tem sido usado para avaliar o modo como se dilui a poluição. O governo de Minnesota, nos EUA, mapeou 100 mil pontos de emissão de poluentes, entre estradas, refinarias e até empresas de lavagem a seco, que usam solvente. O software calcula quanto está sendo emitido e como isso se espalha na atmosfera, o que permite avaliar o impacto sobre a saúde. Isso permite que se invista em cuidados com as fontes de emissão graves. Ohio e Indiana querem sistemas semelhantes.

Como os dados são obtidos? Pegamos informações da Nasa sobre previsões de tempo, cruzamos com dados de emissores e fazemos os cálculos matemáticos. Enquanto os governos fazem avaliações a cada 36 quilômetros quadrados, nossas previsões têm resolução 100 vezes superior, cobrindo 10 mil tipos de processos de emissão.

O modelo é adotado no País? São Paulo e Rio têm a melhor medição do Brasil. O interessante é que a legislação é muito boa, mas faltam recursos e treinamento de pessoal. Para monitorar um rio, basta colocar uma estação, mas para medir o ar em uma cidade é preciso ter certeza de qual a fonte de emissão.

Por que cientistas apontam falhas nesses modelos para negar o aquecimento global? Não existe modelagem perfeita em escala global. Há diferentes metodologias, mas se exige uma exatidão impossível. É como uma panela: todos sabem que a água vai ferver ao chegar a 100°C. O que exigem é que se mostre onde vai surgir a primeira bolha. Pela matemática, não se consegue explicar, mas quando se verifica que está entrando mais calor do que está saindo, é lógico que vai ficar mais quente.

 

 

 

QUEM É?

Formado em Engenharia Mecânica pela UFSC, Jesse Thé é professor Ph.D. da Universidade de Waterloo, no Canadá, e presidente da Lakes Environmental. É também vice-editor do Journal of Energy Elsevier

 

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