Fama persegue 'paciente zero' da gripe suína

Garoto mexicano, que ganhou até estátua em povoado, é alvo de gozações de colegas na escola

Afp, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2010 | 00h00

Um ano depois de ter se tornado uma celebridade mundial, conhecido como o "paciente zero" da epidemia de gripe suína no México, o garoto Edgar Hernández, de 6 anos, vive uma situação inusitada. Embora seu caso tenha chamado a atenção das autoridades mexicanas, que se mobilizaram para levar melhorias ao miserável povoado de La Gloria, onde vive com a família, Edgar reclama que virou alvo de chacota dos colegas ? que só o chamam de "o menino doente". Além disso, sua família é obrigada a conviver com comentários maldosos de vizinhos, que acusam os Hernández de receberem regalias do governo.

Para a mãe do garoto, María del Carmen Hernández, a perseguição é fruto da inveja. La Gloria, situado a 280 quilômetros da Cidade do México, tem apenas 3 mil habitantes e a fama obtida por Edgar é considerada exagerada para muita gente do povoado ? há quem acredite que ele tinha apenas um resfriado entre o fim de março e o início de abril do ano passado, quando metade da população de La Gloria adoeceu. Edgar teve febre alta e queixou-se de dores de cabeça e em outras partes do corpo, mas se recuperou.

Quando médicos coletaram amostras dos infectados em La Gloria, todas deram resultado negativo para o vírus H1N1 à exceção de uma: a de Edgar. O garoto foi considerado o primeiro caso de um sobrevivente da gripe suína no México, de onde a epidemia, então incipiente, alastrou-se para outros países. Hoje, Edgar está saudável, mas o México contabiliza mais de 72 mil casos de gripe suína, dos quais 1,2 mil terminaram em óbito ? no mundo todo são 16,9 mil mortes.

O governador de Veracruz, Fidel Herrera, fez de Edgar um símbolo da luta contra a epidemia. Além de levá-lo para eventos públicos, mandou erguer uma estátua do garoto na praça principal de La Gloria e ajudou sua família com dinheiro do próprio bolso. Herrera ainda liberou recursos para o asfaltamento da principal rua do povoado e aparelhou o posto de saúde local. "É duro ouvir esses rumores de que meu filho jamais ficou doente, que somos sustentados pelo governo e outras bobagens", diz a mãe de Edgar. "O importante é que ele está bem." /

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