Família apelará à embaixada do Brasil para ver o menino

Parentes brasileiros de S. dizem não ter estratégia jurídica para o caso e cobram resposta de Lula

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

25 Dezembro 2009 | 00h00

Os avós de S. pedirão auxílio à Embaixada Brasileira nos Estados Unidos para visitar o menino. Desde que a criança embarcou, levando dois celulares, eles não têm contato com o neto. "Queremos a ajuda do governo brasileiro. Não temos nenhuma estratégia jurídica. Quero apenas ver o meu neto. Escrevi uma carta ao presidente Lula e até hoje não obtive resposta. Queria que ele me dissesse onde estão os direitos humanos no Brasil", afirmou Silvana Bianchi, avó de Sean.

Ontem, ela falou das últimas horas de S. no País, desde a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, na terça-feira à noite, até a entrega do menino ao pai, na quinta-feira, no Consulado dos Estados Unidos, no Centro do Rio. "S. sabia de tudo sobre o processo dele. Nós informávamos a ele até porque hoje em dia as crianças têm acesso à internet. Assim que saiu a decisão do ministro, eu contei. Ele chorou e me abraçou, sempre repetindo que queria ficar", contou Silvana.

Segundo ela, mais calmo, S. reclamou da decisão. "Primeiro, eu perdi a minha mãe e agora vou perder a minha família inteira", teria dito o menino em referência à morte da mãe, a empresária Bruna Bianchi, após o nascimento da segunda filha, Chiara, em agosto do ano passado. "Essa decisão do ministro é desumana. Foi uma covardia separar dois irmãos. Ele trocou o meu neto por um acordo comercial entre os dois países. A criança tinha de ser ouvida. Para que serve o Estatuto da Criança e do Adolescente?"

De acordo com a avó, após uma noite agitada, S. chegou ao Consulado dos Estados Unidos com febre. A entrada foi tumultuada pelo cerco dos jornalistas. "As ruas de acesso ao consulado estavam fechadas e não fomos convidados a entrar pela garagem, como informou a porta-voz do consulado. Isso é uma mentira deslavada", declarou o advogado de Silvana, Sérgio Tostes. Após entrar, muito nervoso, o menino pediu um copo d"água e vomitou em seguida.

Assustado, S. ainda presenciou um bate boca entre o advogado e o deputado republicano Chris Smith. "Eles impediam que a avó subisse para passar as instruções sobre medicamento e alimentação para David. No entanto, o deputado fazia questão de posar com o menino. Questionei isso e ele disse: "você é um sequestrador". Eu respondi a ele ''você é um mentiroso profissional''", disse Tostes.

Após mais negociações com os americanos, permitiu-se que a avó acompanhasse o garoto. "Subi ao 2º andar com S. Expliquei a David sobre as alergias e o momento difícil dele, que perdeu a mãe há um ano e meio. Beijei meu neto e disse a ele que nossos corações vão estar juntos para sempre e isso ninguém separa, censura ou arranca como fizeram. David foi gentil ao ver o desespero do filho e disse que estava lutando por cinco anos e o trataria muito bem." Segundo ela, o primeiro pedido que S. fez ao pai foi para que aprendesse português. O americano teria concordado.

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