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Família de aluna que critica escola diz sofrer ameaças

Avó da catarinense de 13 anos que faz o 'Diário de Classe' no Facebook teria recebido uma pedrada em casa

JULIO CESAR LIMA / CURITIBA , O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2012 | 02h05

A família da estudante catarinense Isadora Faber, de 13 anos, autora do Diário de Classe, uma página na rede social Facebook na qual ela relata o cotidiano da Escola Básica Maria Tomázia Coelho, em Florianópolis, afirma que continua sendo vítima de intimidações e ameaças por causa das críticas que a garota faz ao funcionamento da unidade.

Na noite de segunda-feira, a avó da adolescente, Rosa Faber, de 65 anos, teria recebido uma pedrada no lado direito da cabeça. Segundo a menina, a idosa foi atingida durante o ataque de uma pessoa à casa da família.

Anteontem, o pai de Isadora, Christhian, foi à 6.ª Delegacia de Polícia Civil registrar queixa. A delegada responsável não foi localizada para comentar o caso, pois, segundo o plantão, estava "fora" e não retornaria.

Existe a suspeita de que o agressor seja a mesma pessoa, identificada como Francisco, que há algum tempo foi acusada pela blogueira de ter recebido dinheiro para pintar a quadra da escola, mas não cumpriu o serviço. O teor do boletim de ocorrência não foi divulgado pela polícia.

Joice da Rosa, mãe de José Luiz, um garoto de 8 anos, também registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Proteção ao Menor e Adolescente de Florianópolis. O BO foi postado no Diário de Classe e diz que José Luiz é vítima de ameaças da filha de Francisco por ter amizade com Isadora.

De acordo com Isadora, Francisco já ofendeu sua família, além de demonstrar xenofobia, pois entre os insultos são comuns frases como "Vocês não são nativos daqui", em referência à origem gaúcha da família. Isadora diz que seus pais vivem em Florianópolis, onde ela nasceu, há 17 anos.

Com relação ao ataque ocorrido na segunda-feira, Diamela Leal Faber, a mãe de Isadora, relatou à imprensa local que as pedras foram arremessadas por trás do muro de 2 metros de altura que cerca a casa; uma delas atingiu o carro da família. Anteontem, a avó de Isabela, que segundo a neta sofre de uma doença degenerativa, foi levada para o Instituto-Geral de Perícias, onde se submeteu a exames.

Preocupação. Apesar de incentivar a filha, Diamela teme pelo futuro. "As crianças estão se posicionando contra a Isadora. As coisas estão tomando proporções sérias e a Isadora não baixou a cabeça. Eu não posso incentivar ela a retirar as críticas contra a escola, pois vou ensinar que fazer o errado é que é o certo", disse ela ao portal HoraSC.

A reportagem do Estado tentou ouvir representantes da escola onde Isadora estuda, mas, segundo a secretaria, a diretora - a única autorizada a falar - Liziane Farias havia saído e também não retornaria à escola.

Logo após o ataque, Isadora fez menção às pedras que atingiram sua avó. "Ontem à noite teve uma chuva de pedras em casa, uma delas atingiu minha avó de 65 anos que sofre de uma doença degenerativa. Meus pais tomaram providências e hoje levaram minha avó para fazer exames e para a polícia", concluiu.

Isadora criou a página em 11 de julho. Após a grande repercussão nas redes sociais, a família passou a sofrer retaliações, além de tentativas de desqualificar as opiniões da garota. Em setembro, uma professora de português registrou BO contra ela após ser criticada. A página tem cerca de 3 mil seguidores.

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