FAMÍLIA DE D. ODILO SE DIZ 'ALIVIADA'

Para irmão, novo papa terá de lidar com crise

MIGUEL PORTELA, ESPECIAL PARA O ESTADO, TOLEDO, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h19

Mesmo com o anúncio do nome do novo papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio, os familiares do arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, reunidos em Toledo, no oeste do Paraná, procuraram não demonstrar frustração com o resultado e disseram estar "aliviados".

O professor universitário Flávio Scherer, irmão de d. Odilo, foi quem falou com os jornalistas brasileiros e estrangeiros ontem, durante uma concorrida entrevista coletiva após o anúncio do novo papa.

"Eu até me sinto aliviado por não terem escolhido o meu irmão porque o novo papa terá de resolver enormes problemas da Igreja Católica e agora ele estará mais próximo da família", disse Flávio, cuja casa onde reside em Toledo virou uma espécie de comitê para atender a imprensa nos últimos dias.

Para ele, a escolha do cardeal argentino é um sinal de abertura da Igreja Católica. "Agora mudou o eixo, acabou o eurocentrismo", disse Flávio, que considerou a escolha uma surpresa. "Esperava-se um papa mais jovem."

O padre Inácio Scherer, que é pároco na Catedral de Toledo e primo de d. Odilo, evitou demonstrar abatimento. "Não me sinto abatido por não escolherem o meu primo. Como sempre disse, seria uma alegria para a família, para a Igreja do Brasil, da América Latina e dos países emergentes e países pobres vê-lo papa."

Para ele, a eleição de um papa de fora da Europa é um sinal de mudança profunda na Igreja. "A Europa precisa ser evangelizada de novo. Por isso o eurocentrismo não seria benéfico neste momento que exigia um papa mais missionário e transparente; não que o antecessor não fosse", frisou.

Padre Inácio disse ter uma boa impressão do novo papa. "Ele parece ser uma pessoa espiritual e o título de Francisco significa um olhar novo para os países pobres e emergentes", disse.

A família Scherer confessou que apostava que o arcebispo de São Paulo adotasse o nome de João Paulo III, caso fosse eleito papa.

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