Família de Jean Charles faz acordo de indenização

Parentes de eletricista morto devem receber R$ 286 mil, diz jornal

AFP, Efe e Reuters, LONDRES, O Estadao de S.Paulo

24 de novembro de 2009 | 00h00

A família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros no metrô de Londres em julho de 2005 ao ser confundido pela polícia britânica com um terrorista, chegou ontem a um acordo com a Scotland Yard e deve receber uma indenização pelo incidente.

O anúncio foi feito por meio de um comunicado conjunto que não revela o valor da compensação. No entanto, segundo a imprensa local, os parentes do eletricista - cujos advogados pediam 300 mil libras de indenização - devem receber apenas cerca de 100 mil libras (algo em torno de R$ 286 mil).

"O comissário da Polícia Metropolitana e representantes da família têm o prazer de anunciar que todo o litígio referente à trágica morte de Jean Charles de Menezes foi resolvido", afirmou a nota. "Os membros da família estão satisfeitos com a compensação, que permite que eles deixem esses eventos para trás e sigam adiante com suas vidas."

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, a quantia é baixa porque foi considerado que a família de Jean Charles, de origem humilde, "não poderia esperar muito apoio financeiro do eletricista". Também teria pesado o fato de que o brasileiro não era casado nem tinha filhos. A quantia contrasta com as 400 mil libras pagas ao chefe da polícia metropolitana de Londres na época, Ian Blair, após ele deixar o cargo em 2008.

Até então, os parentes de Jean Charles haviam recebido US$ 15 mil da polícia para cobrir os gastos com o transporte do corpo da Grã-Bretanha para o Brasil e também para custear o enterro na cidade de Gonzaga, em Minas Gerais. Boa parte da movimentação econômica do município tem como base os envios de dinheiro dos emigrantes.

Jean Charles tinha 27 anos quando foi morto em 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell. Ele foi atingido por sete tiros na cabeça por policiais que o confundiram com o terrorista Hussein Osman, acusado de participação nos ataques frustrados contra o sistema de transporte londrino, no dia anterior.

O incidente ocorreu duas semanas depois dos atentados de 7 de julho de 2005 em Londres. Cerca de 30 horas depois da morte do brasileiro, seu verdadeiro nome e nacionalidade foram divulgados pelas autoridades britânicas, que admitiram que ele não carregava explosivos.

Em dezembro, um júri britânico rejeitou absolver a Scotland Yard de sua responsabilidade no assassinato do eletricista. A decisão foi considerada um duro golpe para a polícia metropolitana, que vinha tentando provar que a ação que resultou na morte do brasileiro tinha como objetivo proteger a população de um ataque suicida.

Na ocasião, o corpo de jurados decidiu por um "veredicto inconclusivo", rejeitando a outra única possibilidade que o caso permitia - a de "homicídio justificado". Os jurados também rejeitaram a acusação de que o brasileiro teria se comportado de forma suspeita, como a polícia assegurou na época do incidente.

Testemunhas também desmentiram os relatos de que os agentes teriam gritado "polícia armada" antes de atirar contra Jean Charles. A Justiça, porém, decidiu não responsabilizar individualmente os policiais envolvidos na operação que levou à morte do brasileiro.

A única condenação da Scotland Yard no caso foi por ter violado as leis de saúde e segurança na ocasião, colocando em risco a vida dos cidadãos de Londres. A polícia recebeu uma multa de 175 mil libras.

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