Família de jovem abusado vai processar Igreja

Advogado vai exigir indenização para menor que foi vítima de padre pedófilo no interior de igreja no subúrbio do Rio

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2010 | 00h00

RIO

A família do jovem supostamente abusado por um padre polonês no interior de uma igreja no Rio anunciou ontem que pedirá indenização à Igreja Católica por danos morais. "Não há como minimizar a dor da família, mas queremos que a ação cível puna a Igreja Católica. Nestes casos, os padres e bispos sofrem sanções, mas a Igreja não toma providências internas. Desta vez, nós queremos responsabilizar a instituição, pois o abuso ocorreu em uma igreja", disse Perón Cavalcante, advogado de R. .

O padre Marcin Michal Strachanowski, de 44 anos, entregou-se na sexta-feira na 33.ª Delegacia de Polícia e foi indiciado inicialmente por atentado violento ao pudor, mas deve responder por corrupção de menor. Ele foi transferido anteontem para a Penitenciária Bangu 8. O religioso é acusado de ter abusado de R. em março de 2007, na Paróquia de São Sebastião, em Bento Ribeiro, no subúrbio do Rio. Em seu despacho, o juiz Alexandre Abrahão, da 1.ª Vara Criminal de Bangu, escreveu que o padre transformou a casa paroquial em "uma masmorra erótica".

R. atuou como coroinha até 2006 e voltou à igreja em 2007. Conforme a denúncia do Ministério Público Estadual, o religioso algemou o jovem e praticou sexo oral na vítima antes de uma tentativa frustrada de penetração. Após o abuso, o acusado colocou dinheiro no bolso de R. e exigiu que o ato ficasse em segredo. Nos dias seguintes, após a recusa do adolescente em atender suas ligações, o religioso escreveu em um e-mail que já sabia as flores que o rapaz gostaria no caixão, caso R. contasse sobre o abuso.

A mãe do jovem descobriu o caso após um ano, ao descobrir os e-mails, que tinham até fotos do padre nu. "Meu filho chegou a fazer acompanhamento psicológico em segredo, mas ele perdeu a alegria de viver e não sei se vai se recuperar", disse ela.

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