Família de recruta que morreu em curso processa União

A família de um recruta que morreu durante o Curso de Formação de Soldados Fuzileiros Navais, em março de 2010, ingressou ontem com uma ação na Justiça Federal contra a União por danos morais e materiais e pagamento de pensão. Adonai Santos da Costa Júnior, de 19 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratória no Centro de Instrução Almirante Milcíades Portela (Ciampa), em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro.

TIAGO ROGERO, Agência Estado

26 de agosto de 2011 | 18h12

Ele fazia parte do mesmo curso dado no mesmo local de treinamento dos 62 recrutas e três militares internados na semana passada no Hospital Naval Marcílio Dias, devido, segundo a Marinha, a um surto de influenza B. De acordo com o advogado João Tancredo, que representa a mãe de Adonai, Rosângela Horsai da Costa, o jovem morreu vítima de exercício físico excessivo.

"Temos depoimentos de testemunhas. Elas contam que ele saiu da formação porque não conseguia caminhar, mas o oficial fez ele ir para a frente da tropa, para humilhá-lo. Ele sofreu um primeiro desmaio, foi atendido, mas obrigado a voltar para o exercício. E então sofreu a parada", disse Tancredo.

À época, o Comando do 1º Distrito Naval divulgou nota informando que o recruta foi prontamente socorrido pela equipe médica do Ciampa e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento de Campo Grande. Procurado para comentar a ação, o Comando informou apenas que "foi realizado um Inquérito Policial Militar (IPM) e, seguindo procedimento normal, o mesmo foi remetido à Justiça da 1ª Circunscrição Judiciária Militar".

Segundo nota divulgada ontem pelo Comando, três aspirantes permanecem internados no Hospital Naval, "com evolução clínica satisfatória, não necessitando de cuidados intensivos. Os familiares continuam recebendo, em tempo hábil, os esclarecimentos atualizados sobre o estado de saúde dos recrutas", informou.

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