Família denuncia problema em cadeira de brinquedo

O acidente com a adolescente Gabriella Nichimura, de 14 anos, fez com que uma família de São José do Rio Preto (SP) divulgasse fotos mostrando que a falta de segurança não está restrita apenas à cadeira em que Gabriella estava quando despencou do alto do brinquedo do Hopi Hari, em Vinhedo, na última sexta-feira. Quatro dias antes, o programador Rogério Luís Américo fez fotos do filho, o adolescente Yuri Nunes Américo, de 14 anos, sentado numa cadeira do mesmo brinquedo, cujo mosquetão de metal, que deveria servir para prender o cinto do assento à trava de segurança do encosto, estava sem a mola de fechamento.

CHICO SIQUEIRA, Agência Estado

01 Março 2012 | 18h16

"A peça estava aberta, sem a mola de metal que deveria prender o cinto", contou a mãe do adolescente, a empresária Miriane Nunes Américo. "Decidimos divulgar essas fotos depois que soubemos do acidente com a menina e principalmente depois que disseram que era falha humana", diz. Miriane foi chamada de paranoica pelo marido quando tentou alertar sobre a falta de segurança do aparelho. "Ele me disse que só a trava de segurança bastava, pois não poderia imaginar que deixariam o cinto solto se houvesse algum risco", contou. "Isso foi no domingo, só quatro dias depois é que realmente ficamos sabendo do perigo que nosso filho correu", disse. "Fiquei horrorizada quando vi no noticiário que uma adolescente havia morrido ao cair daquele brinquedo", disse. "Poderia ter sido meu filho", completou.

Segundo Miriane, a pressa com que os monitores acionaram o brinquedo impossibilitou que se fizesse alguma reclamação. "Mesmo se eu tentasse dizer "não quero, meu filho não vai", não haveria tempo, porque é tudo muito rápido", diz. Segundo ela, Yuri ainda tentou dizer para a irmã, Bianca, que estava ao lado, em outra cadeira, que havia problema com a fechadura da cadeira dele. "Mas a irmã pensou que os fechos (mosquetões) fossem diferentes de uma cadeira da outra, pois jamais alguém imagina que pode acontecer um acidente desses. Mesmo assim, meu filho foi no brinquedo segurando o cinto junto da trava no peito dele", contou.

As fotos mostram Yuri antes de se sentar na cadeira, sentado e depois saindo do brinquedo. "Se a gente olhar bem as fotos vai perceber que o mosquetão que deveria prender o cinto do meu filho está mesmo aberto. Tanto que, depois de brincar, meu filho conseguiu sair muito rápido da cadeira", diz ela, se referindo a uma das fotos mostrando que, enquanto Yuri deixa o brinquedo, andando, outros adolescentes, ainda sentados, tentam destravar a mola dos mosquetões que os prendem às travas de segurança.

A cadeira que Yuri usou é a primeira da esquerda para a direita, do setor 4. "Não conseguimos saber se era a mesma cadeira usada por Gabriella, mas o que importa é que a falha da segurança ocorria há mais tempo no mesmo brinquedo e se não for na mesma cadeira, é sinal de que o problema também afeta outras cadeiras do mesmo brinquedo, pois vimos outras cadeiras interditadas", afirmou. A cadeira usada por Gabriella seria a primeira da esquerda para a direita, mas do setor 3.

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