Fernando Sciarra/Estadão
Fernando Sciarra/Estadão

Famílias cortam gastos e volume de serviços prestados tem queda de 5% em janeiro

Este foi o décimo resultado negativo consecutivo e a maior queda da série do IBGE para o mês; para consultoria, piora do setor deve impulsionar o desemprego

Daniela Amorim e Álvaro Campos, O Estado de S.Paulo

11 Março 2016 | 10h05

RIO - O volume de serviços prestados recuou 5% em janeiro de 2016 ante igual mês de 2015, já descontados os efeitos da inflação, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o décimo resultado negativo consecutivo e o pior desempenho para o mês de janeiro dentro da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em dezembro de 2015 ante dezembro de 2014, a redução havia tido a mesma magnitude, de 5%.

Com o resultado de janeiro, o volume de serviços prestados acumulou queda de 3,7% no acumulado em 12 meses. Todas as atividades que integram a Pesquisa Mensal de Serviços registraram queda no volume prestado em janeiro. Os serviços prestados às famílias recuaram 4,1%, enquanto os serviços de informação e comunicação tiveram redução de 2,1%. Os serviços profissionais, administrativos e complementares despencaram 9,1%. Já os transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio encolheram 5,8%. A categoria outros serviços - que inclui atividades imobiliárias, manutenção e reparação, esgoto e coleta de lixo, serviços auxiliares financeiros, etc. - teve perda de 7,9%.

O agregado especial das Atividades turísticas teve aumento de 0,5% em janeiro, após ter recuado em dezembro (-1,6%) e novembro (-1,9%).

Desde outubro de 2015, o órgão divulga índices de volume no âmbito da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Antes disso, o IBGE anunciava apenas os dados da receita bruta nominal, sem tirar a influência dos preços sobre o resultado. Por esse indicador, que continua a ser divulgado, a receita nominal caiu 0,1% em janeiro ante igual mês de 2015.

A série da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) foi iniciada em janeiro de 2012. Ainda não há dados com ajuste sazonal (que permitem a análise do mês contra o mês imediatamente anterior), porque, segundo o IBGE, a dessazonalização requer a existência de uma série histórica de aproximadamente quatro anos. 

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'Antes os serviços diretamente relacionados com o público estavam conseguindo se segurar melhor' - Everton Carneiro, da RC Consultores
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Desemprego. A queda de janeiro nos serviços prestados não quer dizer que a situação tenha se estabilizado. Segundo o analista econômico da RC Consultores Everton Carneiro, o setor ainda tem muito a cair e é difícil ver uma recuperação este ano. 

Carneiro aponta que os serviços técnico-profissionais (-9,6%) e transportes terrestres (-10,9%), que são bastante ligados à indústria e outros setores, tiveram quedas acentuadas. Entretanto, em janeiro a categoria dos serviços prestados às famílias (-5,5%) também sofreu um forte impacto. "Antes os serviços diretamente relacionados com o público estavam conseguindo se segurar melhor", aponta.

Até dezembro, das cinco categorias analisadas pelo IBGE, uma delas - serviços de informação e comunicação - ainda se encontravam em alta na variação em 12 meses, mas em janeiro ela passou a cair (-0,2%). "Com a queda geral de 5% em serviços, é difícil imaginar algum tipo de recuperação este ano. É complicado reverter isso em um período curto. É lógico que depende de vários fatores, como a estabilidade política do País, que poderia incentivar investimentos, mas não vejo isso no curso prazo", explica.

O economista aponta ainda que os setores de serviços e comércio empregam juntos quase 27 milhões de trabalhadores com carteira assinada e que no ano passado, apesar da forte recessão, o número de demissões não foi tão grande. "A principal correção deve acontecer este ano e impulsionar a taxa de desemprego", diz. 

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