Famílias divergem sobre estado do menino

Avó diz que neto 'estava nervoso'; deputado conta que garoto 'ficou feliz'

, O Estadao de S.Paulo

24 Dezembro 2009 | 00h00

Os dois lados que disputaram a guarda do menino S. durante mais de um ano discordaram até no momento final, quando comentaram as reações do garoto ao deixar o Brasil.

O advogado da família brasileira, Sérgio Tostes, afirmou que S. estava "absolutamente transtornado", chorando muito e foi entregue com febre ao pai, David Goldman, no Consulado americano. Tostes disse que S., abraçado ao padrasto, João Paulo Lins e Silva, fez um apelo aos funcionários do Consulado para que a avó, Silvana Bianchi, pudesse acompanhá-lo na viagem aos Estados Unidos, mas o máximo permitido foi que ela levasse o menino até a sala onde Goldman aguardava o filho.

"Estou com o coração partido e o abraço vazio. Não tenho Natal hoje", lamentou Silvana, em entrevista ao Estado, duas horas depois da partida do neto. "Tenho plano de ir (aos Estados Unidos) assim que me for dado o direito de visitar meu neto. Espero que permitam que ele me telefone quando chegar lá."

Segundo Silvana, S. estava muito nervoso e angustiado desde a noite de quarta-feira, quando a família foi informada de que as negociações entre as duas partes não avançaram e a avó não poderia viajar com o neto. Sérgio Tostes contou que, na manhã de ontem, ao sair de casa, S. despediu-se da irmã, Chiara, de 1 ano e 4 meses. "O irmão vai viajar e volta logo", teria dito.

"Espero que o senhor David Goldman, depois de ser apresentado como celebridade, não chegue lá com o filho como um troféu." Tostes se referia ao fato de o pai de S. ter mobilizado a população americana com uma campanha pelo retorno do menino aos EUA e ter feito um contrato de exclusividade com a rede de TV NBC.

Da parte de David Goldman, a versão era de que S. estava bem. Em conversa com os jornalistas depois do embarque, Chris Smith, o deputado que apoiou Goldman em sua disputa pelo filho, disse que S. demonstrou estar feliz ao encontrar o pai. Segundo Smith, pai e filho comeram hambúrguer juntos e conversaram, em inglês, sobre basquete e sobre a neve que está caindo nos EUA. Indagado por jornalistas sobre o veto ao embarque da avó, Smith disse que foi um conselho de psicólogos consultados por Goldman. Ele admitiu, porém, que junto com Goldman e o filho, o voo teria a presença de uma equipe da NBC.

Smith criticou a postura da família brasileira do garoto, que, segundo ele, optou por expô-lo à imprensa na chegada ao Consulado. "(David Goldman) ficou muito desapontado com o comportamento do advogado e da família brasileira de exporem o menino à imprensa", disse, completando que no momento em que viu o tumulto fora do Consulado Goldman teria exclamado: "Meu Deus, o que estão fazendo com meu filho?" Silvana Bianchi reagiu: "O David, desde que chegou ao Brasil, teve proteção policial. Nós não tínhamos proteção nenhuma, por isso o menino foi entregue naquela balbúrdia. A Justiça determinou que ele fosse entregue na porta da frente do Consulado e foi o que fizemos."

Antes de partir, Goldman pediu que fosse divulgada uma carta em que agradece as pessoas que o apoiaram na luta pela guarda do filho. "Saibam que meu amor e do resto da família de S. por ele não tem limites e que nós vamos ao fim do mundo para protegê-lo e mostrar-lhe todo esse amor. Agora é a hora de um novo começo, o renascimento da nossa família num momento especial do ano. Eu espero que esse momento continue crescendo e que a atenção a esse tema não suma, porque existem mais pais, mães e crianças para reunir".

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