Famílias do 11/9 ficam sem detalhes sobre investigação de grampo

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, reuniu-se nesta quarta-feira com parentes de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001, mas não lhes deu detalhes sobre um inquérito que apura se jornalistas da empresa News Corp tentaram espionar as caixas postais telefônicas dessas pessoas.

JEREMY PELOFSKY, REUTERS

24 de agosto de 2011 | 21h49

O jornal britânico Daily Mirror disse que jornalistas do seu concorrente News of the World ofereceram dinheiro a um policial de Nova York em troca de registros telefônicos privados de algumas das vítimas do ataque.

Outros casos de espionagem telefônica realizada na Grã-Bretanha por jornalistas do News of the World abalaram a reputação da empresa controladora, a News Corp, e levaram o magnata Rupert Murdoch a tirar o tabloide de circulação.

Parentes das vítimas do 11 de Setembro disseram que, durante a reunião de 75 minutos, Holder qualificou o inquérito como uma "investigação preliminar", e admitiu que as suspeitas são "perturbadoras."

O Departamento de Justiça confirmou o teor das declarações e disse estar levando a investigação a sério.

"Eles (Holder e outros funcionários presentes) não disseram nada, foram muitíssimo cautelosos", disse Maureen Santora, mãe de um bombeiro morto no ataque com aviões ao World Trade Center.

Holder disse que as denúncias do Daily Mirror são suficientes para motivar uma investigação, e que mesmo tentativas frustradas de acessar contas telefônicas de vítimas dos ataques deveriam ser punidas.

"Fiquei animada com o que ele disse", afirmou Diane Horning, cujo filho trabalhava e morreu no WTC.

Mas Norman Siegel, advogado das famílias, admitiu que o longo período transcorrido pode inviabilizar processos judiciais, devido ao prazo de prescrição dos delitos na esfera federal.

Em depoimento no mês passado ao Parlamento britânico, Murdoch disse que nada indicava que seus repórteres tivessem tentado grampear vítimas do 11 de Setembro.

A reunião com Holder foi realizada a pedido das famílias, que ofereceram os números de telefones de seus parentes mortos. As autoridades disseram, no entanto, que isso não seria necessário, pois há outras formas de investigar a eventual espionagem.

Nem Holder nem os demais participantes do encontro, funcionários do Departamento de Justiça e do FBI, deram prazos para a conclusão da investigação, segundo os familiares.

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