Fantasmas ganham no Senado sem trabalhar

88 servidores que ignoraram o censo tiveram salários bloqueados

Leandro Colon, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

A relação dos funcionários que ignoraram o recadastramento "caça-fantasmas" do Senado confirma suspeita que paira sobre a Casa: servidores recebem salários sem trabalhar. O Estado teve acesso a nomes que não deram sinal de vida até agora e identificou casos de servidores desconhecidos nos gabinetes e que não cumprem expediente.

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O jovem capixaba Lincoln Pereira Uzai Silva, 22 anos, é lotado na liderança do PR há quatro anos. Ele ganhou o emprego do senador Magno Malta (PR-ES), mas ninguém o conhece em Brasília nem no escritório político em Vitória. A funcionária Wanda de França Avelino foi nomeada em 15 de março de 2007 para trabalhar no gabinete do senador João Vicente Claudino (PTB-PI), da Mesa Diretora.

Ontem, em horário de expediente, a reportagem a localizou, trabalhando num restaurante de um shopping de Teresina. Por duas vezes, procurada no escritório do senador, a resposta dada ao Estado foi a mesma: ela não trabalha lá.

Os dois fazem parte da lista dos 88 servidores que tiveram salários bloqueados pela primeira secretaria do Senado porque nem começaram o recadastramento, iniciado há dois meses. Outros 415 só preencheram parcialmente os dados. Todos terão até semana que vem para regularizar a situação.

Esse levantamento decorre da onda de denúncias de irregularidades que tomou conta do Senado. O estopim foi reportagem do Estado, que revelou em junho existência de atos secretos para nomear parentes, amigos e criar privilégios a senadores e servidores.

Dos 88 "desaparecidos", 65 são de confiança e 23 de carreira. Entre os efetivos, está o deputado João Maia (PR-RN), irmão do ex-diretor-geral Agaciel Maia. O parlamentar, que entrou no Senado em 1972, informou à primeira secretaria que está afastado do cargo desde que virou deputado. O Portal da Transparência inclui seu nome na lista dos servidores licenciados. João foi pivô da queda de Agaciel, em março. A casa do ex-diretor do Senado estava em nome do irmão.

Na lista dos omissos estão mais dois assessores de Magno Malta, outro de João Claudino, dois do petista Augusto Botelho (RR), entre outros. Também aparece um servidor da presidência do Senado, que cumpre expediente no gabinete de Valter Pereira (PMDB-MS).

O Estado procurou os assessores de Augusto Botelho: Silvia Cantanhede de Oliveira e Telcimar de Oliveira. A assessoria disse que ambas trabalham no escritório de Roraima e alegou que o recadastramento não foi feito por falha técnica. Na liderança do PDT, a reportagem obteve informação de que Maria Haggi é assessora de Osmar Dias (PDT-PR), mas não conseguiu falar com ela até o fechamento da edição.

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