FAO prevê preço elevado de alimentos por mais 2 a 3 anos

O preço dos alimentos devecontinuar em um patamar alto pelos próximos dois ou três anos,mas cairia quando os estoques estivessem novamente cheios,afirmou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação(FAO) na quinta-feira. Autoridades importantes da agência, em testemunho prestadoa uma comissão do Senado canadense por meio devideoconferência, também disseram que o preço do milho seriainflacionado, neste ano, por uma diminuição do plantio nosEstados Unidos e pela demanda maior por etanol. O economista da área de commodities da FAO, AbdolrezaAbbassian, afirmou que a elevação dos preços para os grãos maisimportantes tinha menos relação com o fato de parte dosalimentos estar sendo usado na fabricação de biocombustíveis doque com o fato de terem ocorrido safras menores e secas emregiões produtoras. No entanto, no caso da atual temporada de colheita, o preçodo milho poderia ser inflacionado pelos 20 milhões de toneladassuplementares do produto usados na fabricação de etanol somadosa safras piores em terras norte-americanas -- em vista decontratempos climáticos, a produção deve diminuir em 30 milhõesa 35 milhões de toneladas em relação ao volume recorderegistrado no ano passado. O governo canadense avalia atualmente um projeto de leideterminando a utilização de pelo menos 5 por cento de etanolna gasolina do país.Segundo Abbassian, o Canadá deveria avaliar a possibilidade deter uma quantidade menor de canola, trigo e cevada paraexportar e de precisar importar milho. A mensagem final é de que o preço dos alimentos continuaráalto durante um tempo, apesar de Abbassian ter afirmado que oarroz pode estar atravessando um momento de bolhainflacionária. O economista disse ainda que os especuladores haviamcontribuído para a volatilidade dos preços, apesar de estarem,basicamente, seguindo as tendências do mercado. Um outro analista da FAO, Ali Gurkan, chefe da divisão decomércio e mercados da entidade, afirmou que as especulações nomercado financeiro não devem dissipar-se dentro em breve. (Reportagem de Randall Palmer)

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