Farc anunciam entrega de três reféns a Chávez

Grupo diz que libertação é gesto de 'desagravo' a presidente venezuelano.

Claudia Jardim, BBC

18 de dezembro de 2007 | 18h20

As Forças Armadas Revolucionárias da Colombia (Farc) anunciaram nesta terça-feira a libertação de três de seus sequestrados que seriam entregues ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez.O anúncio foi feito por meio de um comunicado enviado à agência de notícias cubana Prensa Latina.De acordo com um comunicado assinado pelo Secretariado das Farc, Clara Rojas, seu filho nascido em cativeiro e Consuelo González seriam entregues ao presidente venezuelano ou a quem ele decida.Clara Rojas era assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt - as duas foram seqüestradas em 2002. Consuelo González era parlamentar.Para as Farc a libertação de três refens seria "um ato de desagravo" aos familiares dos reféns, a Chávez - que participava como mediador - e à senadora colombiana Piedad Cordoba, facilitadora do acordo humanitário entre a guerrilha e o governo da Colombia.De acordo com o comunicado das Farc, "a ordem para libertar-los já foi dada".A data e local da libertação dos reféns não foi anunciada. A guerrilha afirma que a "anulação da gestão facilitadora (de Chávez) foi um ato de barbárie diplomática contra o legitimo chefe de um Estado irmão e contra o povo venezuelano, solidários com a solicitação realizada por Bogotá".No comunicado que trata de sete pontos, as Farc agradecem a Chávez "sua dedicação, o colossal esforço como facilitador, sua boa fé, sua solidariedade com a causa pacífica do povo colombiano e o tempo gasto apesar das suas grandes responsabilidades", afirma Prensa Latina.A mãe de Ingrid Betancourt, Yolando Polencio, afirmou que o comunicado das Farc sinalizam que a mediação de Chávez e Córdoba eram "fundamentais para alcançar o acordo humanitário"."O que peço à guerrilha é que tomem em conta também a minha filha (Ingrid Betancourt) que está sofrendo tanto", disse Polencio em uma entrevista via telefônica a televisão estatal venezuelana. As Farc insistem na retirada militar por parte do governo colombiano nos municípios da Florida e Pradera durante 45 dias, região em que seria concretizada o acordo humanitário.Segundo o comunicado, as Farc consideram "improvisada" e "inaceitável" a proposta do governo colombiano de criar uma zona de encontro para o diálogo com o "mentiroso (Luis Carlos Restrepo,comissionado da Paz) em inóspitos, remotos e clandestinos lugares, no prazo de 30 dias". Desde agosto, Chávez vinha atuando como mediador entre o governo da Colômbia e as Farc na busca de um acordo humanitário que permitisse que 45 reféns fossem libertos em troca da libertação de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro que estão presos.O presidente da Colombia, Álvaro Uribe, por meio de um comunicado, decidiu "dar por terminada a mediação de Chávez".Uribe disse que tomou esta decisão porque Chávez teria falado por telefone com o comandante do Exército colombiano, Mario Montoya, desrespeitando assim um acordo entre os dois, segundo o qual o líder venezuelano não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano.Chávez atribuiu o seu afastamento das negociações com as Farc à pressão norte-americana e da elite colombiana sobre o presidente Uribe.Poucos dias depois do fim da mediação, Chávez rompeu relações com Uribe. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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